Se eu fosse um bom jogador
Se eu fosse jogador de futebol e tivesse a chance de ser titular em um time da Primeira Divisão do futebol Brasileiro aos 21 anos, eu me esforçaria muito para treinar mais e melhor e manter o pique, em vez de cair na balada com a rapeize.
Se eu me tornasse ídolo da torcida em poucas semanas, comemoraria com um churrascão com a moçada lá em Ubá na primeira folga e até tomaria uma cervejinha, em vez de meter o nariz numa montanha de cocaína e fumar crack por três dias seguidos.
Se eu ganhasse um aumento daqueles e passasse a ganhar 30 vezes mais, compraria uma casa em vez da Ferrari usada de algum ex-jogador falido. Depois compraria uma casa maior para minha mãe, outra maior para minha irmã e compraria a moto do meu cunhado. E viajaria para o Marrocos no fim da temporada (e faria outro daquele churrasco em Ubá), em vez de dar perda total na Ferrari daquele ex-jogador.
Se eu fosse vendido para a Rússia com 24 anos e começasse a ganhar 100 vezes aquilo que ganhava aos 21, treinaria ainda mais pesado para vencer a concorrência, em vez de cair de boca no espólio da finada URSS junto com os meus patrões mafiosos. Sonharia com a Seleção e garantiria uma velhice de sonhos para meus pais, minha irmã e minha jovem família, em vez de pagar pensão para 14 "dançarinas" de nove nacionalidades diferentes.
Se eu fosse muito bom de bola mesmo, voltaria ao Brasil aos 30 para jogar naquele time que me revelou aos 21 e lá me aposentaria aos 34, com um pé… não, uma plantação inteira de meia e a certeza de que a vida é muito boa.
Isso, claro, se tudo saísse do modo ideal. E se eu tivesse nascido com o talento que o Jobson faz questão de desperdiçar.
