Sou um cara avesso a aniversários. O meu, não celebro. Os amigos perguntam: E, aí? Vai fazer alguma coisa?. Se não tiver jogo de futebol, marco em um boteco qualquer. Posso passar lá e te dar um abraço? Pode, uai! Como poderia ontem ou amanhã. Não acho este um momento especial. Afinal, penso que renasço todos os dias. Deve ter algo relacionado com o nome, Renato.
Mesmo assim, há algumas datas que são históricas. Amanhã é uma delas. Em nossa sociedade escrava do sistema decimal, 100 anos é uma marca e tanto. Mais do que por seu aniversário, o Tupi merece todo meu reconhecimento, agradecimento e sentimento sincero de prosperidade. O Carijó é um velho amigo que merece ser abraçado. Ontem, hoje, e, claro, no dia que lembra seu nascimento. No clube de Santa Terezinha – bairro em que cresci -, foi onde vi o primeiro jogo de futebol ao vivo. Mas ao vivo de verdade, sem delay ou galvões buenos. Com uns 7 anos, ia ao Salles Oliveira assistir às partidas escondido de meus pais.
Lá, vi pelés e garrinchas em jogos que ecoam em meu imaginário. Fiz meus primeiros xingamentos. Tentei ser jogador. Fui diretor de torcida organizada no surgimento da Tupirados. Ri. Chorei. Perdi a voz. Vivi 100 anos em aproximadamente duas décadas e meia. E viveria tudo de novo, com a certeza de que o Tupi é como família. Corre em minhas veias. Mais do que parabéns, sinto-me obrigado a agradecer. Obrigado, Tupi!
