
Cláudio Dias aponta evolução da grama
No jogo-treino do sábado passado, voava menos areia que no treino do dia 14
Quem costuma frequentar os jogos do Tupi no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio tem acompanhado de perto, quase quinzenalmente, desde o fim do ano passado, a novela que se tornou a recuperação do gramado. Trocado em um processo que terminou no fim de agosto de 2014, o tapete da maior praça esportiva juiz-forana nunca mais foi o mesmo. Com buracos, irregular e muita areia, a impressão logo nos primeiros jogos do segundo semestre do ano passado era de que nunca mais a grama voltaria a ser a mesma.
Cinco meses depois, o campo de jogo do Mário Helênio ainda tem problemas, recebe críticas dos jogadores do Carijó, mas demonstra sinais de recuperação. A pergunta na cabeça de atletas e torcedores do Alvinegro de Santa Terezinha é se o local terá boas condições até a estreia da equipe em casa no Campeonato Mineiro, no dia 7 de fevereiro, quando o Tupi recebe o Tombense. A posição da administração municipal é que a recuperação do campo foi prejudicada pela falta do volume esperado de chuvas nos últimos meses, mas há confiança de que para a primeira partida dos juiz-foranos em seus domínios na temporada o tapete do Estádio Municipal estará melhor.
Após os primeiros contatos este ano com o campo, entre os dias 14 e 17 de janeiro, quando aconteceram treinos coletivos e o jogo-treino no qual o Tupi venceu o Atlético Rio por 10 a 0, os jogadores não pouparam críticas, embora quem estivesse no clube há mais tempo tenha reconhecido a evolução do piso. “Em relação ao ano passado está melhor, mas ainda está bastante irregular e com areia”, contou o zagueiro Paulo Roberto. Já o centroavante Daniel Morais se preocupa com o “fator casa” e a qualidade do espetáculo. ” A condição do gramado é ruim, e isso é uma pena, pois precisamos somar pontos aqui. Isso prejudica a nós atletas e ao torcedor, pois se o gramado não está bom, cai a qualidade do jogo.”
Sem chuva
Na última quinta-feira, a reportagem da Tribuna esteve no Estádio Municipal, acompanhada do secretário de Esporte e Lazer (SEL) em exercício, Cláudio Dias, e constatou que o local teve sua grama podada, mas ainda apresenta alguns locais com acúmulo de areia, embora o aspecto geral do campo tenha melhorado. Segundo Dias, os jogadores do Tupi podem ficar mais tranquilos, porque o gramado está em evolução e estará em condições de ser utilizado na primeira partida em casa. “Nossa intenção é que no dia 7 de fevereiro o campo esteja bem próximo do ideal. A vistoria da Caixa (Econômica Federal, responsável pela liberação dos recursos para replantio da grama) esteve aqui e constatou que o campo estava desnivelado. Então, foram usados 60 caminhões de areia para esse nivelamento. Nesse meio tempo, o Tupi treinou e fez um jogo-treino aqui, com o local ainda em tratamento. Esse processo só se completa com a chuva. Ela é que faz com que a areia saia dos pontos mais altos e se deposite nos buracos. Os jogadores reclamam, mas enquanto não chover bem, o gramado vai estar com areia, que não assentará somente com a irrigação.”
Segundo o titular temporário da SEL, que é formado em educação física e geografia, o agrônomo responsável pela manutenção do gramado do Mário Helênio também enxerga evolução na condição do local. “Como geógrafo posso dizer com propriedade que o clima está completamente destemperado. A irrigação não supre nem a força da água para assentar a areia, nivelando o campo, nem carrega os nutrientes necessários para o desenvolvimento da grama. Precisamos torcer para o volume e intensidade de chuva aumentar, além de continuar com esse trabalho de tratamento, sob responsabilidade da Empav. O Marcão (Marco Aurélio Procópio, agrônomo responsável) esteve aqui essa semana e constatou essa melhora. Após a poda que fizemos, isso ficou nítido.”
Jogo-treino de ontem por pouco não aconteceu
Os cuidados especiais devem continuar nas próximas semanas, de acordo com Cláudio Dias. “O conselho que recebemos é que a utilização não seja contínua. Então, se o Tupi treina segunda, que o próximo treino seja sexta, por exemplo, para acontecer um período de recuperação maior. Isso porque a grama ainda não está em um processo de enraizamento perfeito. Precisamos que ele seja utilizado o mínimo possível. Depois do amistoso desse fim de semana (entre Tupi e Bangu, leia mais na página 4), acredito que o time possa treinar mais uma vez para reconhecimento na semana da primeira partida aqui, para termos tempo de aprontar a grama”, prevê Dias.
A intenção da Prefeitura é agendar mais uma vistoria da Caixa no local. “Estamos tentando para o dia 3 ou 4 de fevereiro, porque eles pegariam o campo pronto para o jogo. Acreditamos que com ele dessa maneira e aprovado pela Federação Mineira de Futebol, os representantes do banco irão liberar o restante dos recursos para a empresa que executou o serviço”, explicou Cláudio, citando a Biokratos, firma que fez a troca do gramado e recebeu até agora R$ 90 mil dos R$ 148 mil liberados pelo Ministério do Esporte para a execução.
Sobre a demora entre o replantio e a volta das condições ideais do gramado, Dias reputa a situação à estiagem e acredita que somente em meados do primeiro semestre de 2015 o campo estará em sua plenitude. “Só estará 100% daqui há dois, três meses, por conta do clima. Muitos podem questionar dizendo que o gramado foi replantado em agosto e até hoje ele não está bom. Mas a chuva do segundo semestre de 2014 e desse ano não aconteceu na proporção do que é esperado. O principal problema nosso é a chuva”, diz.
Polêmica
Na última semana, por conta do tratamento do gramado e da não formalização de um acordo prévio entre o Tupi e o ex-secretário de Esporte e Lazer, Francisco Canalli, o clube quase foi impedido de realizar o jogo-treino de ontem. A situação foi contornada, mas Dias fez questão de responder às críticas direcionadas ao Executivo municipal. “Queria deixar claro que a Prefeitura trabalha o ano todo para deixar o campo em condições para o Tupi. Não sabia da existência do acerto do Canalli com o clube, não tinha sido documentado e, na segunda-feira, recebi um oficio do Tupi falando sobre o jogo. Como havia trabalho previsto no gramado, dissemos que não estava liberado. Mas, para não prejudicar o Tupi e seus torcedores, aconteceu a liberação por parte do prefeito”, disse Cláudio.
“Falaram muito que teve um jogo de vereador no fim do ano (organizado pelo vereador Luiz Otávio Fernandes Coelho, Pardal, do PTC). Isso vai acontecer. Assim como teve o jogo do Flamengo, teve o jogo do Goiás no ano passado. O estádio é do município e foi emprestado para outro órgão municipal, que é a Câmara. Na minha opinião, é natural. Não é um jogo de amadores que vai acabar com o gramado. Isso foi em dezembro e nada estava programado para ser feito àquela época no campo. A situação é diferente do amistoso dessa semana, quando havia um tratamento programado que impediria a realização do teste. O ideal mesmo seria que o Tupi tivesse um campo para treinamentos e viesse apenas jogar no Estádio Municipal”, encerrou Dias.

