Novelas
Normalmente, quem gosta de futebol não curte novela. Respeito quem gosta dos dramas televisivos, mas não jogo nesse time. Na minha cabeça, tudo gira em torno de um casal e uma vilã que quer separar os pombinhos. Mil coisas acontecem, mas no final, a vilã é presa ou morre, e os mocinhos casam. Mesmo assim, admito saber um pouco sobre o assunto. Muitas vezes é inevitável. Assunto de TV é igual a falar do tempo, serve para puxar assunto e sempre funciona com quem não gosta de futebol.
No futebolês, novela é aquela contratação que se arrasta durante muito tempo. Acho que a maior da história foi a contratação de Ronaldinho Gaúcho pelo Flamengo. Muitos meses se passaram até Assis definir o que iria fazer com seu personagem. Esse ano, outras chamaram a atenção de nós, os futespectadores.
O grande Wellinton Silva foi alvo da luta da dupla Fla-Flu da mesma maneira que as mulheres de Manoel Carlos são disputadas nas areias do Leblon. Dedé é objeto de desejo de Corinthians, Cruzeiro e Santos, mas, como todo bom mocinho, faz juras de amor à amada cruz-maltina. Riquelme é protagonista das tramas sul-americanas. Todo ano ele está quase fechado com algum clube, mas nunca sai do Boca. Os bobos da vez são Palmeiras e Fluminense. Já jogou muito, mas hoje está mais para Rei da Sucata. Aliás, o Fluminense, no quesito novela, é o campeão de audiência. Considerando o histórico, o Tricolor poderia ser chamado de Silvio de Abreu.
Tudo indica que a novela Carlos Eduardo em busca da felicidade chegou ao seu capítulo final ontem. O meia, de 25 anos, que estava no Rubin Kazan, era pretendido por Santos, Fluminense, Flamengo e Internacional. Fechou com o Fla. Empréstimo por 18 meses e status de craque para um cara que jogou 13 partidas e marcou dois gols nos últimos dois anos e meio.
Final feliz? Os telespectadores rubro-negros só saberão nos próximos capítulos.
Renato Salles volta a escrever neste espaço em fevereiro
