A partir de hoje, mais um clube juiz-forano entra para o hall de centenários do esporte. Em 24 de setembro de 1916, era fundado o Sport Club Juiz de Fora. As comemorações serão iniciadas logo pela manhã, às 9h, com uma missa em ação de graças, realizada ao lado da sede social do verde e branco. Em seguida, sócios e ex-atletas participarão de um ciclo de homenagens a nomes que fizeram história pelo clube e de um café da manhã comemorativo. Dentre os homenageados, estarão a ex-jogadora de vôlei Márcia Fu – participante da equipe local bicampeã mineira na década de 80 e medalhista de bronze com a Seleção Feminina nas Olimpíadas de Atlanta 1996 – e o ex-jogador de futebol Edno Cafini (Perilo), que defendeu o time periquito na década de 50.
“Fico muito honrada pela lembrança. Tenho muito orgulho de ter feito parte da história do Sport, clube onde iniciei, na escolinha que tinha o André Muzzi como técnico. Tive uma carreira bem sucedida devido a esse alicerce, que me fez sair de Juiz de Fora e ser a Márcia Fu que fui. Tive sorte de cair em um clube bom e sou grata pela acolhida, por ter tido um técnico que, para mim, é um dos melhores treinadores do mundo”, confessa a ex-ponteira. “A lembrança que tenho é da quadra sempre cheia, com partidas contra times como o Fluminense, da Isabel, por exemplo. A coletividade daquele grupo foi uma coisa muito bonita de ser vista e vivida”, revela Fu.
Homenageado também no passado, Perilo será novamente lembrado. Aos 89 anos, o ex-camisa 9, goleador da equipe entre as décadas de 50 e 60, não esconde a emoção em poder reviver suas glórias, dentre elas a conquista do torneio Centenário de Juiz de Fora. “Foram dez anos de clube. Naquela época, devido ao título local, fui homenageado. Fiz bastantes gols naquela época”, relembra, alegre. “Fui para o Rio, joguei em outros clubes, mas a minha maior alegria da carreira foi defender o Sport”, confessa, orgulhoso, o ex-centreforward, termo usado na época de Perilo como sinônimo de atacante.
Durante a tarde, as comemorações do centenário prosseguem com um torneio de pênaltis, a partir das 14h. Amanhã, duas partidas de futebol movimentam o clube: às 8h30, com a preliminar veteranos do Tupi x Tupynambás. Logo depois, às 10h30, está agendado o duelo entre veteranos do Sport e equipe master do Flamengo.
Um olho no passado e outro no futuro
Nos meses finais do mandato como presidente do Sport, Jorge Gonçalves Ramos reconhece a grandeza da data, mas não esconde as dificuldades econômicas do clube que, somente junto à Fazenda Nacional, acumula uma dívida em torno dos R$ 4,5 milhões. Segundo ele, este seria o motivo de comemorações mais discretas. “Trata-se de um evento simbólico, com a possibilidade das pessoas mais antigas relembrarem seus tempos de Sport e se confraternizarem com os sócios mais jovens. Vivemos um momento em que precisamos liberar o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), que está em fase quase conclusiva. Achamos mais prudente investir nisso do que fazer uma festa mais glamourosa”, explica.
Segundo ele, a possível venda do clube para a construção de um shopping, assunto muito discutido há anos atrás, está praticamente descartada nos dias atuais. “Como a arquibancada e a sede social são tombadas pelo Patrimônio Histórico do Município, os empreendedores viram que esta poderia ser uma questão desfavorável em relação ao investimento. Frequento o clube há 26 anos, vi fases importantes, como o vôlei da Márcia Fu, os bailes de carnaval e o próprio futebol. Realmente há dívidas, mas o Sport não precisa ser vendido. Basta ter administração. Na minha gestão, o Sport segue sendo um clube esportivo”, afirma.
Pés no chão
Questionado sobre uma possível volta do time de futebol às disputas profissionais, Jorge Ramos novamente se mantém com pensamento mais modesto. “Conseguimos construir uma parceria para levar o nome do Sport para a Liga Ubaense, na categoria sub-23. Mas não é fácil manter o futebol profissional, pela própria concorrência dos clubes. Acho que a disputa da Liga foi um laboratório, para ver como nos comportamos diante da situação atual. Mas é preciso ir devagar”, argumenta. “Temos seguido investindo nas escolinhas e nos outros esportes. Hoje, por exemplo, temos nomes, como o Arthur Rizzo, nadador de águas abertas, que pode, lá na frente, se destacar, como se destacaram os atletas do passado. “Não é possível voltar à profissionalização e acabar comprometendo outras modalidades do clube”, argumenta.
