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Nada no balaio

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Mineiridade em campo

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Acoisa desandou para o lado dos mineiros como há muito não se via. O tempo seco parece ter desidratado o nosso futebol. Nada mais floresce dentro ou fora de campo. Ora em Uberlândia, ora em Sete Lagoas, ninguém se encontra. Trocam-se estádios, jogadores, treinadores e esquemas táticos, mas nada muda. Estranhamente as torcidas ditas organizadas se calam em um silêncio de consentimento. Os políticos torcedores passaram à invisibilidade. Ninguém faz nada.

Fossem em outros idos, já teriam levado à Toca, ao Independência e à Cidade do Galo meia dúzia de benzedeiras do Vale do Jequitinhonha para tirar o mau-olhado. Teriam feito uma sessão de descarrego com todos os jogadores à base de sal grosso nas águas do Rio São Francisco. Chamariam o Zé Arigó. Fariam novena das primeiras sextas-feiras. Rezariam missa em latim. Afugentariam a urucubaca batendo as velhas matracas da Semana Santa como se estivessem botando o próprio diabo para correr.

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Mas não se faz nada. Não há nada em curso na surdina como manda o estatuto mineiro. Não se confabula uma revolução como fez Antônio Carlos em 1930. Ninguém reage à submissão que se impõe, como ensinou Tiradentes. Abandonaram a nossa tão cara discrição por um falatório que não leva a lugar algum. Se nada for feito, parece até que vão conseguir nivelar, em uma divisão abaixo, as montanhas de Minas. É preciso defender a mineiridade nos gramados com a mesma disposição que se tem por aqui quando a liberdade está ameaçada.

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