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A dolorosa da Série C

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Completou um mês ontem a paralisação da Série C do Campeonato Brasileiro. Sem jogos, os clubes sofrem com o vazio de compromissos oficiais nos finais de semana e sentem no bolso o impacto negativo do período. Sem conseguir arrecadar com a presença de torcedores no estádio e por conta da pouca ou nenhuma exposição, os argumentos para negociar com atuais e possíveis parceiros ficam escassos, e o futuro pode trazer complicações orçamentárias.

Mesmo com o alento do início da Série D, liberada na última semana pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), as equipes da Terceirona ainda estão aguardando o fim da novela da disputa judicial entre o Treze-PB e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A torcida é por uma solução administrativa ainda esta semana, mas os times sabem que o prejuízo dificilmente será recuperado.

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No Tupi, o rombo no cofre já passou a casa dos 150 mil. "Estamos calculando nosso prejuízo de R$ 150 mil a R$ 200 mil, correspondente a um mês de operações. Temos que contar aí, além do gasto, o que deixamos de arrecadar. Sem jogar, como poderemos, por exemplo, negociar um aumento de verba de patrocínio ou com um novo parceiro para agregar mais verba? Não há como. E a falta de perspectivas é o que mais preocupa", diz o vice-presidente de futebol do Tupi, José Roberto Maranhas.

Além da contabilizável perda de dinheiro, o Tupi também sofreu com um prejuízo incalculável que, segundo Maranhas, deve afetar o restante das arrecadações nos jogos em casa. "Vínhamos de uma boa campanha no Mineiro. Mantivemos praticamente todo o time, fizemos contratações, e o torcedor estava empolgado. Estrearíamos no dia do centenário do clube (26 de maio), contra o Duque de Caxias, em casa, esperando um público de cerca de 6 mil pessoas. Se vencêssemos, provavelmente garantiríamos de 4 a 5 mil torcedores por mais umas três rodadas nos jogos no Municipal. Agora, houve uma desmobilização natural e, se conseguirmos colocar entre 1.500 e 2 mil no Mário Helênio, será com esforço", avalia o dirigente.

Outro problema gerado pela paralisação também deve afetar diretamente o público em dias de jogos do Tupi em casa e, consequentemente, a arrecadação da equipe com rendas. "Antes, tínhamos a certeza de que jogaríamos em casa de semana em semana ou de 15 em 15 dias. Dois a três jogos por mês, a R$ 15, é mais tranquilo para torcedor comparecer. Mas, se os prazos da competição forem mantidos, teremos que jogar nos meios de semana, aí entra a competição com os jogos da TV, além de haver mais partidas mensalmente em Juiz de Fora. Perderemos público e renda", prevê Maranhas.

Companheiros no prejuízo

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O sofrimento por conta do prejuízo gerado pela paralisação na Série C não é exclusividade de um clube em fase de afirmação no cenário nacional como o Tupi. Agremiações mais acostumadas a disputar as divisões superiores do Brasileiro também sofrem com o atraso no início da Terceirona e, por dependerem mais das rendas de jogos para bancar suas equipes do que o Carijó, estão vendo a falta de perspectiva de início na competição de maneira mais drástica.

No mesmo grupo do Tupi, o B, o Caxias-RS vive situação semelhante à do Carijó, embora calcule suas perdas em números mais volumosos. "Nossos prejuízos já estão na casa de R$ 1 milhão e podem chegar a 2, 3 milhões. Na semana da estreia, tinha reunião marcada com quatro empresas interessadas em nos patrocinar. Nem me reuni com elas, pois não sabia quando jogaria. Ainda perdemos dois patrocinadores. Então, foi um impacto muito grande", conta o presidente do clube, Osvaldo Voges.

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Depois de uma boa campanha no Gauchão, o time da Serra Gaúcha, assim como o Tupi, contava com uma grande mobilização de seu torcedor e uma boa exposição de marca logo na estreia. "Terminamos com o vice-campeonato do Estadual, mantivemos o time e nos reforçamos, e os torcedores estavam empolgados. Estrearíamos com novo uniforme e com transmissão ao vivo pelo Sportv do jogo contra o Macaé. Agora, simplesmente não sabemos", lamenta Voges. "O que nos resta é torcer para a competição começar o mais rápido possível pelo menos para não termos mais prejuízo, sob pena de termos que desfazer o time. Já está ficando difícil segurar propostas por atletas que querem jogar, trabalhar, continuar suas carreiras, que estão congeladas no momento."

 

Grupo A

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Formada em sua maioria por times do Norte e Nordeste que despertam grandes paixões em suas torcidas, a chave A da Série C contabiliza grandes perdas. Exemplos de clubes que contam com a renda de suas partidas para manter os compromissos financeiros em dia, Paysandu-PA e Santa Cruz-PE querem a volta dos jogos a qualquer custo para poder ter condições de pagar as contas.

No Santa, o prejuízo também está na casa do milhões, segundo o presidente Antônio Luiz Neto. "Hoje estamos na faixa de R$ 1,3 milhão de prejuízo. Isso vem de não jogar, da inatividade. Colocamos 40, 50 mil torcedores todo jogo no Arruda, duas vezes por mês. É uma parte importante de nossas receitas. Já está começando a haver dificuldades. Precisamos do retorno imediato da competição para não agravar os problemas, mas sabemos que esse rombo vai ficar, não será coberto."

Já o presidente do Papão, Luiz Omar Pinheiro, lamenta um longo período sem arrecadação e a perspectiva frustrada de reinício da disputa essa semana. "Estou aqui sem jogos oficiais desde o final de abril, pois não nos classificamos para as finais do Estadual. Assim foi embora maio e junho sem arrecadar com renda no estádio. Elas representam entre 60% e 65% do total que temos para trabalhar mensalmente. Então, acumulamos prejuízos entre R$ 700 mil e R$ 800 mil. Estamos com salário em dia, pois tínhamos cotas de televisão do Campeonato Paraense a receber. No próximo mês, não sei como vai ser. Ainda nos endividamos mais com a preparação do Estádio da Curuzu na última semana, pois houve a chance de ter rodada e não poderíamos usar o Mangueirão. Mas não teve jogo e acumulamos mais dívidas", conta. "O que resta é fazer fé para que comece a competição logo e nós tenhamos um bom início para pelo menos amenizar a situação", completa o cartola.

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