
Unidos pela base do Flamengo, mas afastados pela vida nômade no futebol profissional, o volante Recife e o atacante Romário se reencontraram no Tupi. Novamente como companheiros de clube, os atletas agora têm a oportunidade de retomar uma parceria que teve sucesso dentro e fora de campo. Seja na conquista de títulos, como o Campeonato Carioca Sub-20 em 2012, mas também no entrosamento como suporte para o desenvolvimento individual na profissão, a jovem dupla espera colocar à prova o amadurecimento conquistado para levar o Carijó cada vez mais longe.
Romário foi o primeiro a chegar à base do Rubro-Negro, em 2010. Foi também o primeiro a estrear pela equipe profissional do Flamengo, em amistoso com o Londrina-PR no início do ano seguinte. Já Recife desembarcou no Ninho do Urubu no final de 2011, e esperou dois anos para alcançar a equipe principal em jogo contra o Macaé pelo Campeonato Carioca. Da chegada do volante até a saída do atacante para o Madureira, em 2014, foram quase dois anos de convivência em um ambiente de concentração no qual a família foi substituída pela amizade entre os atletas. Por isso, o reencontro em Juiz de Fora é motivo de alegria para os jovens atletas de apenas 21 anos.
“Assim que cheguei, vi ele (Romário) na entrada da sede e fiquei muito feliz. O mundo do futebol é muito pequeno. A gente pensa que está longe do companheiro, um vai se afastando do outro, mas depois todo mundo se encontra de novo. Vamos trabalhar firme que este ano vai dar tudo certo. Tenho fé que vamos conquistar muitas coisas aqui no Tupi”, afirma Recife.
Sentimento semelhante é demonstrado por Romário, alegre por retomar a convivência com a “segunda família”. “Quando a gente entra nessa carreira de jogador de futebol, passamos mais tempo com os jogadores do que com a nossa primeira família. Mas a gente fica feliz por conhecer novos amigos e reencontrar velhos amigos, como o Recife. Espero que essa união continue dando certo como deu no Flamengo.”
Terror dos zagueiros e atacante pitbull
Além da sintonia no dia a dia, os atletas esbanjam confiança no entrosamento quando o papo é sobre a hora da bola rolar. “O Romário é um cara muito parceiro. Sempre ajudava a gente, corria muito, fazia bastante gol e dava trabalho para os zagueiros. A gente lá atrás agradecia, ficava mais tranquilo. Estamos juntos de novo nessa caminhada. Tenho fé em Deus que vai se repetir e dar tudo certo”, diz Recife.
Para Romário, apesar de atuarem em setores diferentes do campo, o comprometimento no jogo é fundamental para o sucesso coletivo. “O Recife tem um estilo de volante pitbull. A gente sabia que se desse errado na frente ele ia fechar lá atrás. Quando a gente não fazia gol podia ficar tranquilo que não ia tomar também. Tínhamos um cão de guarda lá atrás.”
Foi assim que os atletas conquistaram o Campeonato Carioca Sub-20 de 2012. Embora o título parecesse improvável após a derrota no primeiro jogo da decisão contra o Botafogo, a virada foi construída dentro de campo. Sucesso que serve de inspiração para novas conquistas, agora com a camisa do Tupi.
“A gente tinha perdido para o Botafogo por 2 a 1 dentro da Gávea. Os caras já tinham preparado a festa no Engenhão, mas conseguimos reverter o placar e ganhamos nos pênaltis. Acho que tanto da minha parte quando da dele (Recife), fomos excepcionais. Tenho certeza que quando o campeonato começar vamos dar muitos resultados positivos para essa torcida maravilhosa que o Tupi tem. Eu vejo como uma grande oportunidade”, diz Romário.
Paciência para amadurecer
Outro elo entre os jogadores é o técnico Junior Lopes. O atual treinador do Tupi era auxiliar técnico de Vanderlei Luxemburgo no Flamengo quando Romário recebeu sua primeira oportunidade na equipe principal. Enquanto isso, Recife ainda aguardava por uma chance, embora seu futebol já estivesse sendo observado pela comissão técnica. Com anos de experiência em categorias de base, o comandante carijó sabe que o nível de exigência dentro de equipes de jovens atletas é proporcional à dificuldade de se firmar entre os adultos. Por isso, paciência deve ser a palavra chave quando um jogador é promovido.
“A passagem da base para o profissional é sempre complicada. Às vezes atletas que foram grandes promessas na base acabam não conseguindo se firmar no profissional. E, no sentido contrário, alguns que não tiveram tanto destaque vão bem e conseguem se firmar. Clubes como Flamengo, Corinthians, Cruzeiro, Atlético-MG têm um poderio financeiro grande, contratam muitos atletas e fica mais difícil ainda aparecer chance para os jovens. Em geral, acaba sendo mais fácil para os clubes contratarem atletas já prontos. Esses garotos que vêm da base precisam de um tempo para se adaptar à categoria nova, que é totalmente diferente”, afirma Junior Lopes, que vê o amadurecimento da dupla carijó pela dedicação mostrada nos treinamentos.
“O Romário amadureceu muito, como homem também. Era muito garoto, agora passou por Portugal e dá para ver que amadureceu bastante. Já o Recife teve uma passagem pelo Atlético-GO que também serviu para amadurecer. Vejo neles uma vontade muito grande de querer acertar. Por terem vindo do Flamengo, às vezes a exigência pode ser grande. É preciso ter paciência com eles. São atletas jovens que ainda estão acabando o processo de formação. Estão se dedicando e trabalhando muito. Têm tudo para fazer um ano bom com o Tupi.”
Para Recife, a temporada passada foi determinante para crescer, no futebol e na vida. “Sempre fui um cara tranquilo. Quando estive no Madureira, era meio maluquinho, não ligava para nada. Mas quando cheguei no Flamengo, eu me concentrei bem, foquei que queria isso para a minha vida. Ano passado foi um ano de aprendizado. Cheguei ao Atlético-GO, me machuquei, e se joguei sete jogos foi muito. Foi um ano muito sofrido para mim, mas serviu de experiência e aprendizado. Graças a Deus estou bem hoje. Esse 2016 vai ser um ano de muitas bênçãos e vitórias.”
Romário, por sua vez, admite que a falta de maturidade pesou para não seguir no Flamengo, mas afirma viver uma nova fase. “Hoje sou um cara mais tranquilo, que respeita mais as pessoas e sabe o caminho certo, ao invés de ir pelo errado. Me refiro à questão de, às vezes, não ligar tanto para o trabalho, não respeitar a comissão técnica e o que ela determina. Talvez eu tenha me precipitado em algumas palavras, me expressando mal, e isso me prejudicou um pouco. Mas hoje eu vejo que sou um cara mais maduro. Me casei também e tenho certeza que Deus está mudando minha vida. Vamos fazer um ótimo Campeonato Mineiro e também uma segunda divisão para colocar de vez o Tupi entre os clubes brasileiros que estão no topo.”

