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A adrenalina encontra a ciência

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O orientador Denilson Baldo e o piloto Gabriel "Presunto" Santos trocam ideia sobre o Denso 1
O orientador Denilson Baldo e o piloto Gabriel “Presunto” Santos trocam ideia sobre o Denso 1
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Competições com veículos a motor envolvem aplicação de tecnologia, busca pelo aperfeiçoamento da máquina e procura por alternativas para melhorar o desempenho do conjunto carro/piloto. E uma turma de Juiz de Fora resolveu aliar o conhecimento adquirido nos cursos do Campus local do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste) e a vontade de competir para entrar em uma disputa já tradicional no país, pretendendo se tornar o primeiro time juiz-forano a disputar a Competição Baja Sociedade dos Engenheiros Automotivos (SAE, na sigla em inglês) Brasil, uma campeonato no qual os carros off road, conhecidos como minibaja, são projetados e construídos pelos participantes da disputa, que todos os anos, em março, reúne times de universidades e cursos técnicos de todo o território nacional em Piracicaba, interior de São Paulo.

Orientados pelo professor do IF Sudeste Denison Baldo, atualmente 15 alunos compõem o time juiz-forano, batizado de Corsários Baja. A turma, capitaneada por Gabriel “Presunto” Santos, já mostrou competência e tirou do papel o projeto de um protótipo que hoje aceleram principalmente em um terreno baldio acidentado, próximo à construção de um shopping na Zona Norte, ao lado da Rodoviária. A intenção é aprender e se aperfeiçoar para fabricarem uma versão melhorada e dentro de regras específicas da Baja SAE Brasil da máquina.

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Mesmo se tratando de uma protótipo, Presunto, que também é o piloto do carrinho dos Corsários, garante que estar atrás do volante do baja é emoção pura. “É uma experiência singular. Primeiramente, é um carro projetado e construído por nós, então quando entro dentro do cockpit tenho a sensação de que contribuí e fiz parte do projeto. Todos sentimos que somos parte de algo maior. É um carro off road, então já existe uma grande emoção em sua pilotagem.”

O projeto do novo veículo para competir na Baja SAE Brasil já existe e, depois de provarem que podem fazer sua própria máquina, os Corsários agora buscam investidores para construir a definitiva. “O custo do novo projeto será de R$ 10.267. Precisamos de apoio para levantar esse montante. O valor cobre tudo, desde os tubos de aço para a gaiola até o capacete do piloto. Mudaremos o sistema que transmite potência para as rodas, usaremos engrenagens no lugar de corrente, vamos adicionar mais espaço interno no veículo, além de adotar ligas e materiais compostos, como ligas de alumínio e fibra de carbono”, explica Presunto.

A competição

As melhorias e adequações são necessárias, afinal de contas, antes de entrarem e acelerarem na pista de Piracicaba, os Corsários e seu veículo passarão por uma semana de avaliações, período no qual o carro é praticamente virado do avesso. “A prova em si acontece no domingo, mas passamos sete dias sendo submetidos a testes. A disputa é um enduro. Os carros são colocados em uma pista própria, e a corrida dura quatro horas ininterruptas. Quem der mais voltas ganha. Muitos carros não conseguem chegar até o final. Na edição passada, participaram 70 equipes, por volta de 1.400 alunos de universidades de todo país”, conta Presunto.

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A fase de testes da competição criada em 1995 é igualmente dura e conta pontos para a classificação final, segundo o estudante. “São avaliadas várias partes do projeto. Temos a apresentação do veículo, explicando e demonstrando para os juízes o nosso projeto, e eles irão avaliar em custo, segurança, eficiência, facilidade de construção e inovações, entre outros quesitos. Além disso, há provas dinâmicas, como aceleração, frenagem e manobrabilidade. Tudo antecede o enduro. Quando testamos o carro, olhamos fatores como velocidade, aceleração, deformações ou aparências de fraturas em peças, vemos o que podemos modificar ou melhorar. Para o próximo carro, pretendemos usar extensômetros, sensores capazes de medir as deformações nas peças, para nos auxiliar nesse processo de otimização.”

Da sala de aula para terrenos acidentados

Idealizador do projeto, o professor Denison Baldo se inspirou na universidade na qual foi formado para trazer a Juiz de Fora a ideia de uma equipe para participar do Baja SAE Brasil. “Estou envolvido nesse projeto há pelo menos dois anos e meio. Me inspirei na Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), que já tem um time que compete há anos. Resolvi montar aqui e, se conseguirmos construir esse novo carro, seremos a primeira equipe a representar Juiz de Fora na competição.” Segundo o docente, a participação dos alunos no projeto ajuda no aprendizado. “Eles pegam conhecimento que aprendem em sala e aplicam, vendo que realmente dá certo. Isso amplifica seu interesse e dedicação ao curso”, identifica.

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O pai do projeto batizou a equipe, que retribuiu dando o nome do primeiro carro construído por eles em homenagem ao mestre. “A ideia (de chamar o time de Corsários) veio do Denison, porque normalmente os alunos não têm permissão para acessar livremente os laboratórios nem operar os maquinários. Entretanto, aos integrantes da equipe foi concedida uma liberdade para que a gente possa realizar essas tarefas de forma livre e autônoma. Então, o professor falou que éramos igual a corsários, piratas que tinham uma liberdade para pilhar e atacar nações inimigas. Só que, no caso, somos alunos com uma autonomia maior”, explica Presunto. “Já o nosso protótipo se chama Denso 1, em homenagem ao Denison”, completa.

Quem se envolveu na construção do baja conhece cada detalhe do carro, sabe das dificuldades enfrentadas e dos benefícios que pôde tirar dele. “Os motores dos veículos são padrões e não podem ser modificados, são motores estacionários de 10 cavalos com 305 cilindradas. A transmissão é feita por um sistema chamado CVT (transmissão continuamente variável), sem necessidade de marchas nem embreagem. Os amortecedores dianteiros são de moto, e os traseiros, de carro. As molas foram modificadas por nós, a fim de adequá-los para a operação em ambiente off-road. O sistema de frenagem usa freios de moto. Já os discos de freio são projetados e produzidos pela equipe, pois precisamos de discos personalizados que possam aguentar altas cargas e operar em áreas com terra e poeira”, detalha Presunto.

A construção foi difícil, exigiu tanto fisicamente como mentalmente dos alunos. Segundo eles, foram muitos dias até tarde da noite, e outros em que viraram a noite na oficina. “Quando o projeto deu seus primeiros ‘passos’ não teve um integrante que não se sentiu emocionado e com sentimento de dever cumprido. Os 10 minutos do primeiro teste pagaram todas as noites e dificuldades durante a concepção do veículo”, encerra o estudante-piloto.

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Interessados em patrocinar e apoiar o projeto da Corsários Baja para a disputa da Baja SAE Brasil 2015 podem entrar em contato através do e-mail: corsariosbaja@gmail.com

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