A hora da virada
Idade adulterada na certidão de nascimento (o famoso gato), pagamento de premiação não-declarada (o bicho), sumiço de bolas quando o resultado favorece o time da casa, jogadores caindo em campo para ganhar tempo. Estes são apenas alguns exemplos de condutas no mínimo duvidosas que fazem parte da rotina do futebol, a maioria bem aceita por dirigentes, atletas e torcedores. Até aí nenhuma novidade, mas o que me assusta é quando o que é correto passa a ser criticado. Quando o trabalho de bastidor para garantir o cumprimento da regra é alvo de questionamentos.
Foi o que vimos na última semana envolvendo São Paulo e Ponte Preta. O Tricolor Paulista alertou a Conmebol de que o Estádio Moisés Lucarelli, da Macaca não atendia às condições exigidas no regulamento da Copa Sul-Americana. No caso, a capacidade da arena, declarada no site do clube, é de pouco mais de 17 mil espectadores, quando a Confederação exige o mínimo de 20 mil. O clube da capital foi apontado nas redes sociais e mesas redondas como antidesportivo, sujo e manipulador.
Não entendo tanto mimimi quando o clube apenas pediu que a regra fosse cumprida. Claro que o fator campo muitas vezes faz diferença, mas não não é regra.Tanto que a Ponte derrubou o Soberano, de virada, por 3 a 1, em um Morumbi lotado.
Pode ser que o imbróglio extracampo tenha estimulado os jogadores campinenses, mas, assim como no primeiro jogo o palco do espetáculo não foi diferencial para o São Paulo, acredito que na próxima quarta-feira, em Mogi, o time da capital tenha chance de vencer por 3 a 0 e garantir sua vaga na final.
Novamente não será o fator campo a decidir, mas um somatório de elementos, como o brio dos jogadores, a história vitoriosa do Tricolor tricampeão mundial, a falta de títulos expressivo do adversário e, o mais importante, a obrigação do time de acordar após 90 minutos de sonolência. Que venham os urros do rabugento Muricy.
