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Os pés pelas mãos

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Mortos-vivos

A cada ano a febre dos seriados americanos se alastram mais pelo Brasil. É uma praga. Confesso que fui contaminado há alguns anos. Tudo por conta da realidade fantástica do tal Lost. Depois, flertei com várias outras séries. Tentei rever e resgatar o bom e velho MacGyver. Atualmente, meu porto seguro é The walking dead, trama que trata de um mundo pós-apocalíptico, onde zumbis ávidos por sangue e carne humana são a maioria dominante. Daí o nome, The walking dead, que, o mais literal possível significa Os mortos andantes, que são mais comumente chamados de mortos-vivos.

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O fato é que ao assistir ao episódio dessa semana – não sei por que diabos – fiz uma associação com a atual situação do Tupi. O Galo Carijó hoje mais parece um dos zumbis. O rebaixamento à Série D cumpre o papel de morte e representa o encerramento do sonho do torcedor de viver um centenário mais feliz. Todavia, assim como na teledramaturgia gringa, a morte não é sinônimo de fim. Assim, o clube juiz-forano segue arrastando-se moribundo. Com recursos escassos, está de pires na mão atrás de aportes capazes de financiar seu retorno à vida no Campeonato Mineiro, como os monstros do seriado se esgueiram em busca de sangue fresco.

Apesar do apelo zumbi, o seriado se apega à experiência humana em condições sub-humanas. Em algum momento da trama, o personagem central, Rick Grimmes, percebe que seu grupo, que luta para se manter afastado dos errantes, é a verdadeira exceção. São eles os mortos-vivos. Da mesma forma, não é o Tupi a maior vítima da falta de apoio. Somos eu, você e todos que gostam do futebol da cidade que estamos ameaçados. Somos nós os maiores prejudicados por uma iniciativa pública e privada local, muitas vezes pouco interessada pelos destinos da paixão de muitos cidadãos juiz-foranos. Somos nós os mortos-vivos. Acuados. À espera de um milagre. Como em The walking dead, qualquer ajuda capaz de manter esperanças, mesmo que venha de fora, servirá como alento. Por uma vida mais digna de nosso esporte.

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