Ícone do site Tribuna de Minas

Mas funciona que é uma beleza

PUBLICIDADE

Quem gosta de exercícios físicos ou os têm como base de sua atividade profissional sempre busca novas maneiras de manter a forma. Há alguns anos, uma forma de trabalhar a maioria – quando não todos – os músculos do corpo sem o uso dos aparelhos tradicionais das academias vem ganhando cada vez mais adeptos: o treinamento funcional. Também conhecido como treinamento físico fundamental, a técnica traz benefícios tanto para atletas como para o dia a dia de pessoas "comuns".

O triatleta Marcos Hallack tem o treino funcional como base de preparação para as competições mais intensamente desde 2007, mas o contato com o método foi muito antes disso, embora ele ainda não tivesse essa nomenclatura. "Quando fiz um intercâmbio nos Estados Unidos, em 1996, tive uma lesão de joelho por conta dos treinos de atletismo e natação e fui me recuperar lá. Hoje, sei que as técnicas utilizadas eram as do treinamento funcional, com aparelhos e exercícios característicos. Na época, me passaram como fisioterapia, mas agora reconheço que já era o funcional", explica o atleta, professor de educação física e treinador da consultoria esportiva Saúde Performance.

PUBLICIDADE

Segundo o personal trainer Ricardo Zacaron, dono do RZ Studio, a classificação e metodologia do treinamento funcional surgiu há pouco tempo, mas os exercícios já estavam aí. "O que aconteceu foi o estabelecimento de uma metodologia. O treinamento funcional foi criado nos Estados Unidos por diferentes autores desconhecidos e obedece à periodização do National American Sports Medicine (NASM), respeitando a individualidade biológica e a especificidade objetivada por cada praticante. Por isso, pode ser utilizado com sucesso por pessoas, de iniciantes a atletas experientes, que querem uma melhora na preparação física, estética, saúde e qualidade de vida. Ele prepara o organismo de maneira íntegra, segura e eficiente através do centro corporal, chamado nesse método por ‘core’ – ‘núcleo’, em inglês. É uma volta à utilização dos padrões fundamentais do movimento humano como empurrar, puxar, agachar, girar e lançar, dentre outros", diz o educador físico, que nos dias 29 e 30 de setembro traz à cidade um curso teórico e prático sobre o método pelo terceiro ano consecutivo, com um dos especialistas no assunto no Brasil, o carioca Daniel Belloni.

Instabilidade

Nos trabalhos de funcional, o foco é o centro do corpo, e a instabilidade, antes de ser um risco, é uma aliada do praticante. "O ‘core’ é a nossa casa de força. É composto por abdome, coluna e quadril, de onde vem nossa verdadeira potência", explica Hallack. "Não é o desequilíbrio, mas a instabilidade que trabalha, além do físico, também o cognitivo. Não é só a área que se quer trabalhar, por exemplo braço ou perna. A pessoa precisa de 100% de coordenação para atingir seus objetivos", diz Lucas Leite, triatleta, fisioterapeuta e técnico da consultoria esportiva Vida Ativa. Para ele, a atenção individualizada é fundamental. "No treino funcional não há uma máquina que te guia. Então, o profissional tem que estar sempre presente ao lado do aluno."

Alternativa à tradicional musculação de academia, o treino funcional pode também ser associado a ela. "O ganho para quem pratica vem da diversificação. Se você associar aparelhos tradicionais com aparatos de funcional, o aluno terá uma atividade mais prazerosa. Complementando com atividades aeróbicas então, proporcionam um ganho bem grande em todas as áreas do condicionamento", considera Zacaron.

PUBLICIDADE

Hallack destaca também a complexidade dos exercícios como um fator positivo para o praticante. "Em uma academia, malhando braço, por exemplo, você pensa na conta para pagar, no que tem que fazer depois. No funcional não dá. Se fizer isso, você corre sério risco de cair e, como quando o exercício fica fácil a gente aumenta o grau de dificuldade, a concentração também tem que subir."

O goleiro do Tupi, Rodrigo, pratica o treino funcional regularmente no estúdio do fisioterapeuta do clube, Ivo Aleixo. "Conheci em 2009, quando lesionei o tornozelo, e desde 2010 fazemos esse trabalho. O principal ganho é a elasticidade, mas como trabalhamos no limite dela, vem junto a força. É excelente em umas bolas mais longas que você tem que se esticar todo e, se não fizesse isso, não teria força para colocá-las para fora. Tem dado certo, tenho feito defesas bem elásticas."

PUBLICIDADE

Para Vera Lúcia Cabral, 60 anos, há seis meses adepta do treinamento funcional, os ganhos foram globais. "No peso, perdi 6kg. Sentia muitas dores nas costas, articulares, e hoje não as sinto mais. O Ricardo (Zacaron) até tem que mandar eu parar, porque eu quero mais. Melhora em tudo, na disposição, na animação… é muito bom", garante.

Sair da versão mobile