Aquele abraço!
Caros e caras, podia destacar aqui nesse no Papo a nada casual coincidência da vitória do último sábado do Tupi ter sido construída com dois gols da camisa 7 do eterno ídolo João Pires. Ele, que nos deixou recentemente para olhar pelo Carijó do céu, certamente se sentiu homenageado e honrado por Núbio Flávio ter feito com seu número às costas a melhor partida que o vi jogar desde que chegou ao clube no início do ano. Também poderia sublinhar a liderança isolada do grupo ou mesmo aspectos técnicos e táticos do confronto com o Nova Iguaçu no fim de semana. Mas prefiro ficar com aquele abraço do final entre jogadores, funcionários, comissão técnica e dirigentes.
Considero a cena simbólica e acredito que só assim o clube local consegue suas inacreditáveis façanhas que desde a época de João Pires espantam os descrentes, calam os críticos e enchem de alegria nosso peito carijó. Em um tempo no qual a já combalida saúde financeira do Alvinegro se Santa Terezinha anda mostrando toda sua fragilidade, não se deve desanimar, mas fazer com que a situação melhore no único aspecto que pode: dentro de campo. Quem está sofrendo na pele os transtornos de estar em um clube de orçamento apertado, tipo cobertor curto, no qual os sacrifícios são imensos de todos os envolvidos para manter o futebol profissional local em atividade, tem que ter em mente que a recompensa das conquistas nesse cenário costuma ser maior e não pode esmorecer, procurando apoio no companheiro, diretor ou integrante da equipe técnica mais próximo.
Foi isso que o time fez no último sábado, em uma vitória suada, assegurada na raça e – porque não dizer, usando o velho chavão – contra tudo e contra todos. Só se consegue vencer assim com cada atleta correndo por cada atleta e por quem fora de campo tenta tocar o barco. Aquele abraço simbolizou isso. Abraço, aliás, que o clube merece de toda a cidade nesse momento de dificuldades financeiras agudas. Meus dez anos de cobertura diária não me permitem ser otimista nesse sentido, mas o sonho permanece o mesmo, de que algum dia o fim iminente do futebol profissional em Juiz de Fora possa despertar as pessoas para o valor do Tupi e de quem o leva adiante e que o clube possa ser valorizado em investimentos do tamanho de sua competência provada em campo nas últimas temporadas.
Enquanto isso não se materializa, torço para que o espírito do fim do jogo de sábado permaneça presente pelo menos entre quem joga e milita no futebol carijó. Pois só assim se pode pensar em um retorno à Série C do Campeonato Brasileiro. Não há fórmula para o sucesso, muito menos no futebol, mas é um grande começo quando as dificuldades unem, as críticas infundadas servem para motivar e o sangue fervendo é utilizado para buscar a vitória. A continuarem sem trazer os problemas do extracampo para dentro dele, os carijós têm tudo para seguir como estão, firmes rumo à classificação para as oitavas de final e, quem sabe em um futuro próximo, dar mais uma vez adeus à Quarta Divisão com aquele abraço!
