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Nada no balaio

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Deselegante

Até bem pouco tempo atrás, o Brasil cometia descortesias com outras nações da América Latina apenas quando a Seleção Brasileira de Futebol aplicava sonoras goleadas nos selecionados vizinhos. Ainda assim, na maioria das vezes, a coça não era compreendida como grosseria por fazer parte do jogo. Em alguns casos, como o Haiti, ver os brasileiros em campo era algo superior a qualquer possível admiração pelos jogadores locais. O placar da partida perdia a importância nessas ocasiões.

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Mesmo nos confrontos entre clubes – ressalva feita aos embates com os argentinos -, a coisa andava mais ou menos dentro do esperado. Havia aquela coisa de jogador sair correndo do campo debaixo de uma chuva de todo tipo de objeto, mas nada diferente de algumas situações vividas nos próprios campos brasileiros. Quando se tratava da Argentina, o nível de catimba e pancadaria era um pouco maior, ainda assim, na maioria das vezes, em níveis aceitáveis.

Na última semana, no entanto, a deselegância brasileira alcançou um grau avançado. Dentro das quatro linhas, ou melhor, no seu entorno, um garoto boliviano acabou morto na arquibancada durante o confronto entre Corinthians e São José em jogo na Bolívia válido pela Copa Libertadores da América. Kevin Douglas Beltran Espada, 14 anos, morreu no estádio depois de ser atingido no rosto por um sinalizador possivelmente disparado por torcedores do Corinthians. O caso ainda está sendo investigado.

No Brasil, mas fora das quatro linhas, a blogueira e dissidente cubana Yoani Sánchez sofreu com todo tipo de protesto durante sua passagem por aqui. Até aí, nada a reclamar, afinal, trata-se do sagrado direito à manifestação, mesmo estando os entusiasmados manifestantes limitados apenas à questão da blogueira, sem sequer se importarem, por exemplo, com a turma do Renan Calheiros, que, com certeza, representa algo mais nocivo aos interesses nacionais. A coisa piora na medida que a moça é impedida de falar para uma plateia que queria ouvi-la.

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