
Kico Zaninetti em JF
Brasil, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia. Muita história para contar após 13.500km pedalados. Esse é o resumo dos últimos dois anos e meio para Kico Zaninetti, um analista de sistemas que largou tudo para viver um sonho: andar de bicicleta pelo mundo.
Tudo começou em 2010, quando ele e os amigos Tiago Batalha, Carlos Werner e Marcelo Barros leram "No guidão da liberdade", obra do brasileiro Antônio Olinto que relata uma viagem sobre duas rodas pelo mundo nos anos 1990. Inspirados pelo livro, os amigos decidiram repetir o feito do protagonista . Buscaram patrocínio no Ministério do Esporte, mas só conseguiram autorização para usar a logo. Nada de dinheiro. Como no grupo havia dois analistas de sistemas, Kico e Tiago, a ideia para divulgar o projeto foi colocar a viagem na web. Inicialmente, no site e, posteriormente, no endereço, onde parte da história e fotos podem ser visitadas hoje.
Em abril de 2010, largaram casas, famílias e empregos e partiram de Juiz de Fora rumo a Brasília. Tudo ia bem, mas um mês depois, quando estavam em Paracatu, Norte de Minas Gerais, o primeiro grande obstáculo: Marcelo caiu e quebrou o braço. Fim da linha para ele. "Quando o Marcelo voltou, nossas famílias ficaram desesperadas. Eles pensavam assim: ‘se eles já estão se machucando antes de sair de Minas, imagina no resto do mundo’", relembra Zaninetti.
Os três decidiram seguir o sonho. Pegaram as bikes e foram em direção à Bolívia, mas perceberam que a grana não seria suficiente e tiveram que trabalhar. "As cidades pelas quais nós passávamos tinham deficiências. Eu entrava no site de um hotel, por exemplo, e via o que faltava no site deles e propunha o trabalho. Foi a forma que nós conseguimos para ganhar dinheiro e seguir viagem."
Da Bolívia, o trio seguiu para o Peru, Equador e, por último a Colômbia, que seria o último país antes da ida à América Central, mas houve uma mudança de planos. "Quando estávamos no Norte da Colômbia, vimos que o dinheiro que teríamos seria só o suficiente para entrar no Panamá. Concordamos em dar a volta e explorar a Amazônia."
Sozinho
Em Belém, no dia 24 de maio, Carlos e Tiago decidiram pegar o avião e voltar para casa. Kico quis fazer o caminho de volta no pedal. Sozinho. De lá até Diamantina (MG) foram seis meses de viagem, com paradas estratégicas – para ganhar uma grana e curtir as belezas naturais – em Fortaleza (CE), Juazeiro do Norte (CE), Aracaju (SE), Salvador (BA) e na Chapada Diamantina (BA). "Foi um tempo de extremo autoconhecimento que, sem dúvidas, mudou a pessoa que eu sou e a forma com a qual me relaciono com o mundo", sintetiza o aventureiro.
Da Chapada Diamantina, Kico seguiu rumo à cidade de Diamantina (MG). Lá, ele encontrou o ciclista paulista José Renato Bergo, que lia o diário de bordo do juiz-forano pela web. Marcaram um encontro e decidiram descer os 792km de viagem rumo a Juiz de Fora. "Tenho um programa de web TV sobre viagens e já conhecia o trabalho dele. Por isso, marcamos em Diamantina e resolvemos fazer o caminho da Estrada Real até aqui", revela o paulista.
Depois de uma viagem de dois anos e meio, Kico não deve mais viajar, pelo menos agora. "Cheguei com várias ideias na cabeça e sem dinheiro no bolso. Tenho que dar uma aterrissada no mundo real e ver as oportunidades que terei", encerra o viajante.

