Éramos 30
Por Wallace Mattos
Caros e caras, presente ao Arruda, pude ver o que é, verdadeiramente, uma festa do futebol. Na partida decisiva contra o Santa Cruz, a torcida do Tupi, em número muito menor, por conta da brilhante atuação do Carijó, pôde fazer a festa diante de quase 60 mil pessoas. Não éramos 300, como na Grécia, mas 30 que gritaram a plenos pulmões tanto para empurrar o time de Juiz de Fora como para comemorar o título conquistado da Série D.
O cenário realmente não estava pronto para as extravagâncias de mineiros comemorando o título. Tudo, antes da partida, demonstrava que a festa estava armada para o Santa. O mar de gente chegando me assustou bastante – apesar do ótimo esquema de segurança feito pela polícia pernambucana. As faixas de campeão da Série D já colocadas no peito dos torcedores locais, antes mesmo do início do jogo, e o sorriso otimista de cada tricolor mostravam para nós que não poderia haver chance de revés.
Mas, os 18 em campo e os 30 em um canto da arquibancada do Arruda teimaram em seguir contra o fluxo do provável. Acreditando somente na grandeza de sua paixão pelo Tupi, enfrentaram o outros 60 mil adversários e, em dia histórico para o futebol de Juiz de Fora, calaram uma das maiores e mais apaixonadas torcidas do Brasil.
Ao ver a maioria dos presentes ao estádio deixando a arena, me percebi diante de uma passagem do hino carijó. Se o clube "grande vitórias sempre alcança", quem vive "as glórias dos imortais" são seus torcedores!
Parabéns Tupi, campeão brasileiro!
Paixão sem tamanho
Por Juliana Duarte
Minha viagem ao Recife, o jogo entre Tupi e Santa Cruz, o título carijó da Série D do Campeonato Brasileiro e tudo o que envolveu esta conquista histórica renderam alguns dos momentos mais emocionantes da minha vida e me deixaram algumas lições.
O silêncio dos 55 mil após o primeiro gol não sai da minha cabeça e vai ser sempre a lembrança mais marcante daquela tarde. Os 60 minutos que antecederam o gol do Allan, vão sempre ser lembrados como os mais longos da minha vida. Mas, além disso, aquela tarde de domingo me deu uma aula de paixão e respeito.
A paixão de 55 mil torcedores pernambucanos lotando o Arruda para uma final de Série D e a festa que eles fizeram foi digna de aplausos de qualquer torcida da Série A. A paixão de 30 juiz-foranos (de nascença ou coração), que viajaram 2 mil quilômetros para assistir e apoiar o Tupi, merece entrar para a história, assim como o feito inédito dos 18 guerreiros que estiveram lá em campo.
E o respeito que eu espero ver crescer de agora em diante em relação ao Tupi, um time centenário, tradicional e campeão. Um time que foi ignorado pela torcida do Santa Cruz, que não foi citado por parte da imprensa nacional ao falar da final. Um time que mostrou ser corajoso, talentoso, grande e vitorioso.
A partir de agora, Brasil, saiba: este é o Tupi, e o prazer em conhecê-lo é todo seu.
Ao Tupi: parabéns e muito obrigada!
Memória
Por Ricardo Miranda
O Arruda. Talvez o estádio que mais se pareça com sua torcida. Simples, grande e impressionante. Sem nenhuma vocação para acatar determinações mercadológicas da Fifa ou da CBF. Importa apenas o torcedor, que parece brotar no Arruda. Em um piscar surgem dezenas, centenas, milhares.
O Santa Cruz. O "Santa" não existe para além de sua torcida. Não é time, é adjetivo. Alguma expressão que surgiu da fusão de paixão e loucura. O tricolor pernambucano nos últimos anos tornou-se um desafio diário para dirigentes e cronistas esportivos em busca de explicações para aquilo que não se explica.
O Tupi. O Carijó soube respeitar o Santa Cruz e o Arruda. Naquele estádio, com aquela torcida, restava ao clube de Juiz de Fora a sua parte: o futebol. O Tupi mostrou-se à altura de tudo aquilo. Parecia até ter sonhado com o Arruda, o Santa Cruz e aquele jogo durante os últimos 99 anos.
O jogo. Torcedores do Tupi, talvez até por força do hábito tenham contado os minutos para ver acabar tudo aquilo. Mal sabiam os carijós que aqueles 90 minutos vão se estender por alguns dias, meses e anos. Cada detalhe da partida agora começa a ganhar uma história. Futebol é assim: memória.
Os 30. Perdidos no Arruda para o jogo entre Santa Cruz e Tupi, 30 torcedores carijós. Eram loucos em sua maioria, mas em um dia de lucidez. Em um misto de fascínio e medo, acompanharam de perto, ainda que sem saber, um momento histórico. Foi quando o mundo inteiro se calou, e somente os 30 gritaram: "É campeão!"
