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Aulão coletivo quer incentivar prática de jiu-jítsu entre mulheres

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(Foto: Divulgação)
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Um aulão gratuito de jiu-jítsu, exclusivo para mulheres, será promovido pela faixa preta de jiu-jítsu da equipe Carlson Gracie JF, Karolina Porfírio, e Viviane Almeida, faixa preta da equipe BTT, no dia 18 de novembro, das 14h às 17h, na Faculdade de Educação Física e Desportos (Faefid) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A ação não possui restrição de idade e, para participar, basta comparecer ao local durante as atividades. Além disso, não é necessário possuir experiências anteriores com lutas. O treino contará com recepção, aquecimento, demonstração de golpes, momento de lutas e roda de conversa. Essa será a segunda edição do treino coletivo. A primeira aconteceu em 2020, antes do início da pandemia de Covid-19.

A ideia do aulão nasceu após um levantamento realizado entre 2014 e 2015 por Karolina sobre mulheres que praticavam a modalidade. A ideia era compreender melhor a realidade das dificuldades existentes em turmas mistas. “O encontro veio da amizade entre eu e Viviane. Tínhamos o desejo comum de conhecer um pouco mais das mulheres que praticam a modalidade, independente da equipe. Queríamos quebrar um pouco da rivalidade entre academias e falar sobre o que realmente interessa. Nós mulheres somos numerosas, porém se comparado ao número de homens, isso fica irrisório. Além disso, encontramos dificuldades em praticar uma modalidade majoritariamente masculina, como segurança, oportunidade, respeito, assédio, patriarcado, violência. Essas são algumas das questões que podem nos fazer entrar ou sair da modalidade”, afirma Porfírio.

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União de mulheres através do esporte

A organizadora Karolina entende que o trabalho realizado exclusivamente para mulheres é importante, já que a luta é um ambiente majoritariamente masculino. “As lutas são representadas, na maioria das vezes, por homens, e isso causa certo desconforto por inúmeras questões, como mudança de hábitos na dinâmica de uma aula, nomenclatura de posições e golpes, contato físico, dentre outros”, explica.

Ela complementa, afirmando que, em Juiz de Fora, não há incentivo direcionado às mulheres que desejam entrar no mundo das lutas. “Hoje, na cidade, não temos uma frente que cuide disso, não temos uma união entre atletas e poder público para nos motivar. E não é por falta de representatividade. Temos inúmeros nomes dentro das lutas que se tivessem mais oportunidade, como bolsa de incentivo ao esporte, patrocínio com alimentação, transporte, suplementação, preparação física, médica e psicológica, para que pudessem se dedicar exclusivamente ao esporte, poderiam atingir um patamar de sucesso. Muitas atletas hoje já conseguem um pouco de visibilidade quando vão para capitais ou para fora do Brasil buscando melhores oportunidades e a realização de um sonho e, com isso, podendo mudar a vida de suas famílias e sendo exemplo para a nova geração”, relata.

Apesar dos problemas, Karolina também acredita que o trabalho realizado com mulheres trará resultados a médio e longo prazo, “Acredito que o trabalho está sendo feito dentro das academias, com um bom professor sendo exemplo, encorajando suas alunas, aulas com metodologia e didática, homens levando esposas e filhas para treinar, famílias e amigos presentes para cuidar em algum momento de dificuldade, comemorar alegrias, e aconselhar em momentos difíceis, trará resultados. Daqui a alguns anos teremos mais mulheres graduadas, faixa preta, que possivelmente vão abrir seus espaços e acolher mais mulheres, até que isso passe a ser um ciclo”, projeta.

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