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Na orelha da bola

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Patrulha da corneta

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Adriano é um cara incrível. Vai ter força de vontade assim na Bíblia. Não me lembro de nenhum criminoso de colarinho branco ser tão perseguido quanto o atacante do Corinthians. A imprensa esportiva brasileira parece ter perdido o rumo. O Ronaldinho Gaúcho atrasa 13 minutos (treze minutos!) e é manchete para todo lado. O Adriano chega duas horas depois da hora marcada, perde o treino e dá no Jornal Nacional! No Jornal Nacional! Foi o primeiro atraso do camarada em seis meses de Corinthians e escrevem e falam por aí que ele vai ser mandado embora se vacilar de novo. Qual é? Onde isso acontece?!

Logo jornalista, que não é muito ligado nesse negócio de horário, salvo raras exceções que eu particularmente desconheço, mas devem haver, ficar dando pancada no cara desse jeito? Uma coisa é o cidadão chegar toda semana amarrotado, com olho vermelho, bafo de cachaça e não jogar nada, outra é estar há seis meses trabalhando para se curar de uma inoportuna e grave contusão e tomar na cabeça porque se atrasou duas horas. Uma vez em seis meses. Aí o cara vem e diz Ah, mas ele tem antecedentes…. E eu digo: falou o Senhor Perfeição.

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Adriano deu azar. Deu azar porque era segunda-feira e não tinha treino, não tinha jogo e o noticiário esportivo é tradicionalmente árido. Deu azar porque na terça também não tinha jogo, o pessoal se reapresenta só para treinos leves e também não tem muita notícia. Aí virou prato cheio para os corneteiros. Render uma piada aqui e outra ali nas resenhas vá lá, é do jogo. Mas essa patrulha não está com nada. Está parecendo aqueles torcedores que perseguem jogadores do Fluminense e contam quantas caipirinhas eles tomam…

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