Os juiz-foranos e a Zona da Mata terão uma razão especial, além da torcida pelo Brasil, para vibrar com as provas de pentatlo moderno na Olimpíada de Londres, que serão disputadas nos dias 11 e 12 de agosto, com presença brasileira no segundo dia de disputa. Única representante do país na modalidade nos Jogos Olímpicos de 2012, a pernambucana Yane Marques, 28 anos, carrega um pouquinho da região no tempero que compõe a combinação das cinco modalidades – tiro, corrida, natação, hipismo e esgrima – do esporte que pratica.
O técnico de esgrima de Yane é o tenente Thales Metre, 26 anos, que, apesar de ter nascido em Belo Horizonte, viveu a maior parte de sua infância e adolescência entre Juiz de Fora e Palma – pequeno município da Zona da Mata próximo à divisa com o Rio de Janeiro, a 146km da Princesa de Minas. A ligação do ex-pentatleta e hoje mestre d’armas com as cidades é muito forte até hoje, já que a maioria de seus familiares ainda reside na região.
Thales fez uma visita a Juiz de Fora pouco antes de iniciar a fase final de preparação com sua pupila para a Olimpíada e lembrou seu início nos esportes militares. "Fui aluno do Colégio Militar de Juiz de Fora de 1996 a 2001, onde comecei a prática da equitação e da corrida. Quando fui para a Escola Preparatória de Cadetes, incluí a natação em meu treino. Na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, comecei a praticar pentatlo moderno depois de começar a treinar esgrima. Fui atleta de 2006 até o fim de 2008", conta.
Logo após encerrar a carreira, Metre decidiu rapidamente se tornar treinador e já começou com a melhor do país. "Em 2009, fiz o curso de Mestre D’Armas na Escola de Educação Física do Exército, no Rio de Janeiro, e me habilitei a ser treinador de esgrima em todas as armas: florete, espada e sabre. O major Alexandre França, que serve comigo em Porto Alegre e revelou a Yane em 2003, assim que terminei o curso no Rio, me perguntou se gostaria de treiná-la. Aceitei e, desde então, fazemos esse trabalho juntos", explica o treinador que também trabalhou com o time brasileiro que disputou os Jogos Mundiais Militares, em 2011.
Trabalho com Yane
Segundo Thales, o trabalho com a única representante do pentatlo moderno brasileiro em Londres é gratificante. "Trabalhar com ela é tudo que qualquer treinador sonha. Ela se dedica 24 horas a seu desempenho. Não tem um minuto do dia dela que não seja dedicado ao pentatlo. Então, os resultados que ela vem obtendo, 99% são fruto dessa dedicação em fazer tudo que é programado pela equipe para sua evolução", diz o treinador de esgrima que faz parte de um time que, além dele e do "head coach" Alexandre França, ainda tem dois técnicos de hipismo, dois massagistas, dois fisioterapeutas, uma nutricionista e um psicólogo esportivo.
O técnico de esgrima afirma que os trabalhos do dia a dia têm que seguir uma rotina mais flexível, justamente por conta das outras modalidades do pentatlo. "A esgrima, que é disputada com a arma espada, é a modalidade mais ajustável do pentatlo, fisicamente falando. Fazemos ajustes em função do cansaço. Se ela acabar de fazer um treino puxado e estiver com as pernas pesadas, por exemplo, a gente pode fazer um estudo teórico das adversárias, m exercício só de braço ou de pontaria, um preparo mental de relaxamento. No alto rendimento, a esgrima é 90% cabeça, porque todas têm o corpo preparado e a técnica quase perfeita. Vai definir quem estiver mais concentrada, mais fria, com mais velocidade de reação para decidir ou corrigir no momento em que algo comece a dar errado. No pentatlo, você enfrenta o adversário em 1 minuto. Nesse tempo não pode passar mais nada na cabeça do atleta a não ser pontuar", explica Thales.
Luta por medalha
Os recentes resultados de Yane têm animado seu técnico de esgrima. "Ela foi campeã do Pan-Americano em 2007, onde mostrou realmente que era um talento nato. Veio subindo no Ranking Mundial, fechando 2011 como terceira colocada. Foi sexta no Campeonato Mundial no ano passado, competição que é até mais forte que as Olimpíadas. Ela nos surpreendeu e não ficou em nenhuma prova fora do top 10 da modalidade esse ano. Ainda foi campeã francesa de pentatlo, deixando como vice a atual tricampeã mundial (a francesa Amélie Caze). Na final da Copa do Mundo, na China, onde estavam as 36 melhores atletas do planeta, que se enfrentarão nas Olimpíadas, foi bronze."
Por conta do atual desempenho, Metre acredita que sua pupila possa chegar ao pódio na Inglaterra. "A gente sempre pensava em disputar medalha somente em 2016. Mas, com essas últimas colocações, pode acontecer já nessa Olimpíada. Tudo depende do dia dela. Existem dez candidatas ao ouro, e a Yane é uma delas. Está preparada para lutar já esse ano em Londres e tem tudo para chegar ao Brasil, em 2016, como uma das favoritas ao ouro", prevê.
