
Atletas treinaram em escadarias para a prova
Corredores juiz-foranos vão se juntar a cerca de 2500 atletas e invadir as ladeiras, becos, trilhas e escadões de uma favela da Zona Sul do Rio de Janeiro, no Desafio Rocinha de Braços Abertos. A largada para as corridas de 5km e 10km será dada na manhã de hoje, na maior comunidade da América Latina, pacificada no final do ano passado.
A maioria dos atletas nunca correu em um terreno assim. Para muitos, vale mais é a experiência de estar na favela que, há pouco tempo, era ocupada por traficantes armados. "Sempre houve a curiosidade em conhecer a Rocinha, mas antes era impossível entrar lá. Agora, através da corrida, é a oportunidade de ver de perto", diz o competidor juiz-forano Carlos Souza, 26 anos.
Para o atleta Rubens Gabriel Ruela, 37, além de poder integrar o calendário esportivo oficial, a corrida na Rocinha abre um novo tempo para o esporte na comunidade. "Acredito que será um incentivo aos próprios moradores", diz. "Como o próprio nome diz, vai ser um desafio. Não temos ideia do que vamos encontrar", comenta Gilson Alves Fasolato, 46, sobre a dificuldade do percurso.
Em relação à preparação para a prova, não há muito mistério. "O jeito é subir e descer escadarias e ladeiras para não sofrer tanto na hora da prova", diz Luciano Araújo Silva, 33. "Cada um sabe o tempo que gasta para correr 10km. Mas, lá na Rocinha, não temos como saber. O terreno é diferente e o trânsito de corredores vai ser muito grande. Imagina passar todo mundo por um escadão ou um beco?", prevê Gilson.

