A história de Flávio Stumpf é marcada pela superação e persistência. O atleta, de origem humilde em Petrópolis, no interior do Rio de Janeiro, deu os seus primeiros passos na corrida graças a sua mãe e seu irmão. Com o tempo, o corredor, que tinha o sonho de se tornar um jogador de futebol, tomou gosto pelo esporte, que o levou para Tóquio e fez com que ele se tornasse um dos principais nomes da corrida em Juiz de Fora. Stumpf foi o convidado do “Dá Jogo” da última quarta (20), programa de esportes do YouTube da Tribuna de Minas.
Flávio conta que conseguiu resultados expressivos nas primeiras provas que disputou, mesmo com pouco treinamento. Entretanto, relembra que sua mãe lhe dizia que sempre poderia mais para incentivá-lo dentro das corridas.
“Muitas das vezes, eu treinava com os outros meninos e corria junto do meu irmão, mas no final eu queria ganhar dele, não importava quem estava do meu lado. No dia que eu ganhei uma corrida em Petrópolis, uma corrida muito famosa que tem lá, minha mãe falou: ‘pronto, agora você tá bem’”, recorda.
Foi nessa corrida que Flávio foi descoberto pela “Pé de Vento”, principal equipe de corridas de rua do Brasil na época, e se mudou para São Paulo e, posteriormente, para o Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo em que lutava para emplacar a sua carreira como atleta, o petropolitano também trabalhava como servente de pedreiro. Por conta do excesso de esforço em seu trabalho, sofreu uma lesão na coluna que o afastou das provas por dois anos, o que, por consequência, fez com que ficasse também sem patrocinadores.
“Quando eu voltei, eu, praticamente, desprezei a minha família, porque eu morava debaixo da ponte, não tenho vergonha de falar, numa casinha de lona. Eu tinha vergonha de falar. E quando eu mais precisei, voltei pra lá e minha mãe sempre falou comigo que ‘a casa é pequena, mas sempre teria um lugar’ pra mim. Até hoje eu não esqueço disso. E foi aí que percebi que, primeiro, eu tenho que me ajudar para ajudar minha família. E foi com isso, graças a Deus, que eu consegui dar uma casinha em minha mãe, consegui ajudar meus irmãos”, narra Flávio.
Recomeço
Após voltar para casa, Flávio não via motivação em voltar a correr, mesmo estando recuperado da lesão na coluna. Porém, foi incentivado por um amigo a participar do Campeonato Carioca no Rio de Janeiro, onde se sagrou campeão. O título fez com que o atleta voltasse a estar motivado a seguir a sua trajetória como corredor que, pouco tempo depois, se mudou para Juiz de Fora por conta de sua então namorada e atual esposa em 2010.
Desde que se mudou para Juiz de Fora, Flávio passou a competir nas corridas que compõem o Ranking de Corridas de Rua da cidade. O corredor soma dois títulos da competição, além de incontáveis vitórias nas etapas do campeonato.
“Em Juiz de Fora, as etapas aqui são boas porque está vindo uma geração de atletas novos, muito boa. E as pessoas, sempre quando eu ganho a corrida, que eu faço um post, falam que sou uma referência, que começaram a correr por minha causa, isso é legal. Isso pra mim é uma gratificação muito grande de ver os atletas crescendo, e espero que daqui pra frente eles possam almejar algo lá na frente, em corridas fora daqui, para poder levar o nome de Juiz de Fora para as grandes provas”, comenta.
Aventura no Japão
Um simples gesto de incentivo rendeu a Flávio uma das maiores aventuras de sua vida. Em 2016, o atleta participou de uma corrida no Rio de Janeiro e, durante o percurso, viu um outro participante que estava correndo com dificuldades e falou para ele não desanimar. Ao final da prova, enquanto se dirigia para o exame antidoping, o homem, que era representante do consulado japonês no Brasil, procurou Flávio para conversar e o questionou se ele desejava conhecer o Japão.
“Disse que sim, mas que não tem estrutura nenhuma. Passaram cerca de dois meses, chegou um e-mail pra mim, tudo em japonês. Pensei que era spam e ia apagar. Nisso, meu treinador me ligou perguntando se tinha feito alguma coisa com alguém, porque o cônsul estava agradecendo a um atleta que passou por ele incentivando e convidando atleta para poder participar da maratona de Tóquio. Fui e fiquei 15 dias”, relata Flávio.
Apoio da família
Flávio leva uma rotina árdua de treinos e trabalho para conseguir seguir com a sua carreira de atleta. O corredor destaca que só consegue fazer tudo graças ao apoio que tem de sua família.
“Eu já tive proposta de morar no Rio Grande do Sul, mas eu não abro mão da minha família hoje, da minha estrutura, porque eu não posso desestruturar eles aqui. Largar um certo pelo duvidoso? Não. Prefiro ficar aqui, já que eu estou tendo resultados aqui na cidade, trabalhando e cuidando da minha família, porque foi a base que me botou onde que eu estou hoje”, finaliza.
