Touro velho
Quem teve a oportunidade de correr os olhos em alguma partida da Copa São Paulo de Futebol Júnior deve também ter sofrido com a falta de perspectiva do futebol brasileiro. É muito do mesmo. Habilidade individual de meias e atacantes, volantes turrões, laterais perdidos e zagueiros sofríveis. Tudo isso com a correria própria da idade e algum desespero para vencer. Mesmo com a maioria dos jogadores tendo na ponta da língua a escalação do Barcelona, o que o time catalão tem a ensinar ainda não foi compreendido por aqui.
Para os espanhóis, Messi, Xavi, Iniesta e os outros oito são como touros velhos. Estavam, na parte mais alta de um pasto, dois touros. O touro velho e o touro novo. Um pouco mais abaixo, pastavam muitas vacas e algumas novilhas. Ao avistá-las, o touro novo ficou afoito e sugeriu uma investida imediata que poderia render (quem sabe) meia dúzia fêmeas para cada um. Nisso, o touro velho balançou a cabeça serenamente e decidiu inspirado: Nada disso. Vamos descer devagar e pegar todas. E assim foi feito.
O Barcelona, diferentemente dos meninos da Copa São Paulo de Futebol Júnior e dos homens das demais competições brasileiras, não quer descer depressa e fazer um gol ou quem sabe dois. Não é isso. O time catalão quer ganhar tudo e, para isso, não há pressa. Não há correria ou desespero com a bola nos pés. Sempre devagar, com a bola de pé em pé, na cadência do samba. Não demora muito, aparece Messi, Xavi ou Iniesta e pronto: a vaca foi para o brejo. Ao término do jogo, eles ganham, mantêm seus 70% de posse de bola e, claro, vencem todas.
