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JF tem que ‘se unir em torno do Tupi’

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O novo comandante do Tupi já está com a mão na massa. Após 12 anos na Série A como auxiliar técnico e duas temporadas na terceira divisão como treinador principal, Junior Lopes está se preparando para fazer sua estreia em um novo patamar do futebol brasileiro. E vai caber ao profissional ser o condutor do Alvinegro no retorno do clube à Série B, ponto alto na centenária história do futebol carijó.

Aos 42 anos, Junior Lopes completou duas décadas dedicadas ao futebol. Filho do ex-treinador e atual diretor técnico do Botafogo-RJ, Antônio Lopes, o comandante teve o início da carreira ligado ao pai. As portas abertas já ficaram para trás para o profissional, que se orgulha das conquistas da família, mas busca escrever a sua própria história.

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Da convivência com profissionais como Vanderlei Luxemburgo, Paulo Campos, Enderson Moreira e Ricardo Drubscky, em clubes do porte de Flamengo, Fluminense, Vasco, Grêmio, Palmeiras, Coritiba e Atlético-PR, Junior Lopes tira a experiência que acredita ser necessária para ajudar a afirmação do Tupi na Série B. Uma caminhada que já começou, e só terminará em dezembro de 2016.

– Tribuna: Tendo passado por clubes de várias cidades do Brasil, Juiz de Fora já esteve no seu caminho outras vezes?

– Junior Lopes: Já estive em algumas oportunidades. No fim de 2011, quase acertei com o Tupi. O Ricardo Drubscky saiu do clube e conhecia meu trabalho do Atlético-PR, onde trabalhamos juntos. Me indicou para cá e chegamos a jantar juntos no Rio, com o Cloves (Santos, vice-presidente do Conselho Gestor), a Myrian (Fortuna, presidente) e o Maranhas (José Roberto, vice de futebol), e praticamente deixamos acertado para começar o trabalho em 2012. Só dei uma condição: na época estava no Flamengo, como auxiliar do Vanderlei Luxemburgo, e tínhamos a possibilidade de classificação para a Libertadores. Viria com a condição de o Flamengo não se classificar, conseguimos a vaga e não vim. Mas estreitamos relações e acabou acontecendo. Estou satisfeito com esse começo. O clube está em um novo estágio, pela primeira vez na Série B, e temos o Campeonato Mineiro, que também é muito importante.

– Como acha que o Tupi pode se adequar mais rapidamente a esse novo estágio?

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– É um patamar diferente para o clube e temos procurado conversar bastante e participar de todos os eventos na cidade. É muito importante a cidade se unir em torno do Tupi, trabalhar de modo integrado. Aqui tem uma Universidade importante (UFJF), podemos nos ajudar bastante. A Série B é uma competição que traz muita gente de fora. É normal acontecerem algumas situações que fogem um pouquinho ao nosso alcance, mas a cidade inteira tem que se unir. Temos procurado fazer isso desde que acertei a vinda para cá, me inteirando da cultura da cidade em todos os aspectos para estar inserido no contexto. Não adianta vir de fora achando que ter trabalhado em vários centros vai dar todo o conhecimento necessário. Já trabalhei em clubes da séries A e C, e não adianta vir só com ideias. É preciso também saber da cultura da cidade. Isso é muito importante para interagir e tentar fazer a união entre todos os setores.

– Como essa integração entre o Tupi e a cidade pode ser feita?

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– É importante que cada um dê um passo em direção a esse bem comum. Por estar tentando me integrar à cidade, já fui, por exemplo, aos jogos da equipe de vôlei (JF Vôlei), ao torneio de futebol amador que acabou nesse mês (Copa Bahamas), detalhes pequenos que fazem a diferença. Juiz de Fora só tem a ganhar quando começar a Série B. Isso é muito importante em uma competição de sete, oito meses, algo que o Tupi não está acostumado. Temos até maio para nos preparar. Precisamos tomar como exemplos Macaé e Mogi Mirim, duas equipes que subiram da Série C e caíram novamente no ano seguinte. Tudo isso tem sido pensado para achar onde essas equipes erraram, inclusive conversando com profissionais que trabalharam nesses times.

– Com o destaque para a Série B, como o Tupi deve se portar no Campeonato Mineiro?

– É importante fazer um bom Mineiro. Lógico que nesse momento precisamos planejar visualizando as duas competições, principalmente na montagem do elenco. Mas a partir da virada do ano temos que esquecer um pouco a Série B. Internamente, temos situações que estamos planejando, e ao longo do estadual vamos acompanhar alguns nomes para a Série B. Vamos fazer esse acompanhamento ao longo do Mineiro para quando formos trabalhar no Brasileiro já termos esse material de consulta. O Campeonato Mineiro vai ser um muito importante, por ele próprio mas também como preparação para Série B.

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– O que você julga ser um perfil adequado na postura do elenco que o Tupi espera formar dentro e fora de campo?

– O Tupi tem que manter o perfil que já vem de algum tempo. O aspecto guerreiro da torcida, participando muito. Costumo dizer que a torcida não deve ser o décimo segundo jogador, mas o primeiro jogador. A torcida tem que participar bastante para nos ajudar. O Tupi não pode perder a característica aguerrida, mas agora com uma formação de elenco talvez um pouco diferente, com mais qualidade do que em anos anteriores, tentando agregar essa força e luta com uma qualidade cada vez maior.

– Como você lida com a identificação com o trabalho do seu pai? Que herança você traz do perfil pessoal e profissional?

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– Lógico que meu pai é a minha maior referência dentro do futebol. Mas ao longo do tempo trabalhei com 14 treinadores diferentes, e você vai adquirindo características de todos eles. Sou um cara muito observador. Avaliei o que acho correto ou não em cada um deles, inclusive do meu pai. Sempre há comparação quando chego em cidades onde as pessoas ainda não conhecem minha capacidade. É normal esse tipo de comparação. Já tenho 20 anos de futebol, trabalhei em vários times, e o legal na minha carreira é que já estive em times de ponta, mas também em outros com dificuldades. Às vezes incomoda, sim. Mas lido muito bem com isso. Acho natural essa comparação excessiva, mas não me afeta mais.

– Você chega ao Tupi em um momento de euforia para o torcedor pela conquista da vaga na série B. E para o treinador, qual foi o desafio que te inspirou para aceitar vir para o Tupi?

– Todo profissional tem suas metas. A minha é a Série B. Tive a oportunidade de trabalhar por 12 anos na Série A como auxiliar, e agora trabalhei dois anos na Série C, e agora ingressar na B é muito importante. Tive uma proposta financeira maior de um clube do Nordeste, mas não era um time de Série B, e preferi vir pra cá. Agora quero crescer novamente como treinador principal. Logicamente, depois de alguns anos, buscar a Série A e me estabilizar. Muitos profissionais chegam lá, mas muito rápido e sem uma base. Quero me sustentar por dois, três anos na série B, para quando puder chegar na série A ser com capacidade e base para permanecer ali o restante da carreira.

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