Acho engraçado os subterfúgios utilizados tanto pela imprensa quanto pelos torcedores para tentar destacar um ou outro jogo em um campeonato em que o que vale é a regularidade, como o Brasileirão de pontos corridos. Durante os dias que antecederam ao duelo entre Cruzeiro e Botafogo, os esforços para rotular a partida como uma grande decisão foram recorrentes. Após a incontestável vitória celeste, nem a Raposa foi campeã, nem tampouco o Botafogo disse adeus ao campeonato.
Apesar da larga vantagem dos mineiros, não foi o 3 a 0 de quarta-feira que fez a equipe de Marcelo Oliveira ser apontada como principal favorita. A pecha já vem desde o meio do turno, quando os azuis encontraram um futebol vibrante e equilibrado, grande senha para levantar o caneco em um torneio sem finais. Ao Glorioso, resta buscar as atuações constantes, marca da temporada alvinegra até aqui. Nada está perdido.
O grande segredo do Cruzeiro é jogar uma decisão por rodada. Atuando contra o vice-líder ou contra o lanterna, estão em jogo 3 pontos, que sempre serão importantes no somatório final. Isso independe de adversários. Ou de jogo bonito. Basta ver a evolução do São Paulo após o retorno de Muricy e suas goleadas por 1 a 0. Mais do que bons jogadores, o mérito da Raposa é não ter medo de jogar para vencer seja contra o arquirrival Atlético ou contra o time de pelada da firma.
