Solitários
O solidão do xerife Will Kane, personagem de Gary Cooper em Matar ou morrer, talvez seja o retrato mais fiel do herói solitário. Abandonado pela esposa após o casamento, ele sai pelas ruas do povoado de Hadleyville, no Oeste dos Estados Unidos, à procura de novos auxiliares para enfrentar o sanguinário Frank Miller (Ian MacDonald). O criminoso que Kane mandara para a cadeia acabara de ganhar liberdade condicional e desembarcaria no trem do meio-dia para executar a vingança feita no passado.
Kane foi a metáfora do diretor Fred Zinnemann para falar da solidão do americano frente ao patrulhamento do macarthismo entre o fim da década de 1940 até meados da década de 1950. A ojeriza era tanta que, ao derrotar Frank Miller, o xerife remove seu distintivo e joga-o fora. Mais ou menos o que fez o Montillo, do Cruzeiro, quando ninguém mais entendia suas jogadas na quarta-feira. Irritado após uma sofrível tentativa de tabela com Wellington Paulista, o argentino quase jogou a toalha.
O Fluminense, que tem até jogador com nome de herói, o He-Man, ainda depende do desempenho solitário de Fred. Liédson desfalcou o Corinthians e, na sua ausência, vieram as derrotas. Ronaldinho não jogou na quarta-feira, e o Flamengo caiu. Neymar não resolve no Santos. O inverso também é verdadeiro. Renato Gaúcho ressuscitou o Atlético-PR. O mesmo deve acontecer com o Internacional com o Dorival Júnior. Enfim, são todos exércitos de um homem só.
A sina é mesma do xerife Will Kane ou da presidente Dilma Rousseff na sua faxina na Esplanada dos Ministérios. Mesmo com o apoio a lá Dom Quixote de Pedro Simon e Eduardo Suplicy, Dilma segue sozinha, isolada até por Lula e pelo PT. Assim, talvez eles estejam apostando, ao final da necessária limpeza, a presidente resolva jogar fora a estrela e a faixa presidencial.
