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Os pés pelas mãos

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Devoção a Dios

Durante esta última semana, estive por cinco dias em Buenos Aires. Como todo bom apaixonado pelo futebol, fiquei atento à cena esportiva hermana e, óbvio, visitei o templo sagrado de La Bombonera. O estádio e todo o bairro La Boca são de arrepiar. Voltei para Juiz de Fora com um sem número de artigos coloridos em azul e amarelo, e também em azul e branco. Embora não tenha debatido com nenhum torcedor local, foi muito fácil perceber o fanatismo da hinchada argentina. Ao mesmo tempo similar e distante da experiência vivenciada em terras brasileiras. Por lá, a bola que rola tem ares revolucionários, enquanto por aqui está mais para válvula de escape.

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Uma coisa me chamou a atenção. Ao contrário do que é comumente dito pelos cronistas esportivos brasileiros, os hermanos têm grande veneração por Lionel Messi. O nome do melhor jogador do mundo aparece nas vitrines, nos cartazes e nas camisas da hinchada com uma frequência impressionante. Mais até que os cortes à la Neymar que se espalham Brasil afora. Não tenho medo de dizer que, atualmente, Messi é o grande ídolo do futebol argentino. Vi referências a Palermo e Riquelme, por exemplo, mas nada que chegasse aos calcanhares do meia do Barcelona. Apesar do craque ainda não ter deslanchado com a camisa da seleção, o tratamento não poderia ser diferente, já que ele é visto como o esperado messias capaz de levar o futebol argentino, em baixa há alguns anos, à redenção.

Mais lembrado que Messi nas ruas de Buenos Aires, só mesmo o tal Don Diego Armando Maradona. É admirável a veneração dos argentinos pelo ex-jogador que é chamado por Dios pelos hermanos. O ar debochado e desafiador do eterno camisa 10 é onipresente. Mesmo nos panelaços por melhores condições sociais, Maradona está lá, de alguma forma, em faixas, gritos ou camisas. Como se ele fosse realmente capaz de interceder de forma divina por uma boa parte da população que não se cala, mesmo massacrada por uma frágil economia. É impossível ficar alheio a um sentimento como esse. Se não retorno totalmente convertido, volto com uma certeza: em termos de devoção, Maradona é muito maior que Pelé.

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