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Ultramaratonista relata desafios na chuva e na neve da Grécia

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Marco Farinazzo relata que o trajeto de 490km teve muitos imprevistos, entre eles frio intenso, e decidiu abandonar a prova após 30 horas: “Foi desesperador”(Foto: Arquivo Pessoal)
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O ultramaratonista Marco Farinazzo deixou a 4ª Authentic Phidippides Run aos 200km do percurso, depois de enfrentar um trajeto intenso com chuva, neve e muitos imprevistos. A prova começou na última sexta-feira (16) e compreende 490km saindo de Atenas, na Grécia, passando por Esparta e voltando para o local da largada em mais de 60 horas de prova. Via Whatsapp, o juiz-forano contou à Tribuna os detalhes do desafio que “não poderia ser tão fácil assim”.

Segundo Marco, a prova começou com temperaturas negativas e chuva insistente, que causou a desistência de participantes logo no início. “Fiz uma estratégia conservadora, meu planejamento era chegar em Esparta (245km) bem, fazendo uma média entre 5 a 6min/km para realmente decidir a prova na volta para Atenas. Mas peguei uma chuva constante, reforçada com temperaturas abaixo de zero e uma subida de 6km com neve até o tornozelo e, pior: a trilha dos carros criou uma lama de neve, corremos o tempo todo com os pés dentro do gelo por horas, sem poder tirá-los. Foi desesperador, isso tudo no topo de uma montanha coberta por neve e nevoeiro forte. Alguns tiveram que ser resgatados e já abandonaram a prova ali mesmo, mas consegui vencer este trecho.”

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Avaliando o percurso que fez, Marco reconhece que não estava preparado para o que chegou a enfrentar. “Subimos apenas com roupas comuns de frio, capas de chuva e tênis permeável. A descida foi muito sofrida, muito íngreme, e por duas vezes quase passei direto nas curvas. Foi assustador. Na primeira parada após a descida, parei para descongelar, tirar os tênis pela primeira vez e parei para dormir e recarregar as energias. Após levantar, passei muito mal e continuei um pouco enjoado. Ao sair do check point, já pegamos outra descida, e aí já com o corpo frio, comecei a sentir o tornozelo do pé esquerdo, mas sabia que com o tempo o corpo iria esquentar e tudo começaria a funcionar normalmente. A chuva e o frio continuavam a castigar a todos durante a madrugada. Após amanhecer cheguei em um dos check points e decidi trocar os tênis e as meias pela primeira vez, para tentar aliviar as dores nos pés e no tornozelo esquerdo. Ao sair, novamente o choque com a temperatura baixa e a chuva e ventos fortes não davam trégua. Continuei lutando com a dor no pé por alguns quilômetros, meu novo objetivo era chegar até Esparta para recalcular o GPS.”

Faltando 69km para chegar a Esparta, com cerca de 200km percorridos, Marco decidiu abandonar a prova e se preservar, cerca de 30 horas após o início. “Sabia que nos próximos quilômetros iria me deparar com enormes e longas subidas e descidas em uma estrada muito movimentada e perigosa. Informei à organização da desistência e fomos para Esparta ver os outros dois atletas que estavam na minha frente. Não tem como falar que não fiquei chateado, mas toda máquina está sujeita a quebrar sobre pressão, por que a humana seria diferente?”, comentou. O primeiro competidor a completar a prova foi o polonês Sagan Lukasz, com 75h36min de prova, seguido pelo compatriota Wereszczak Andrzej, com 80h17min. Apenas outros três atletas seguiram competindo e houve 17 desistências.

Marco retornou a Atenas na madrugada de domingo e passou o dia no hotel descansando. Sua volta ao Brasil está planejada para a próxima quinta-feira (22). Para o início de 2019, o atleta já planeja refazer a Ultramaratona BR 135+ no final de janeiro, dez anos depois de ter vencido a prova pela primeira vez.

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