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Meu Flamengo x Fluminense inesquecível: leia relatos de Futrica e Suca

flamengo e fluminese
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A partir das 18h deste domingo (20), a bola rola no Maracanã para mais um clássico entre duas das maiores equipes do Brasil e do Rio de Janeiro. Flamengo e Fluminense voltam a se enfrentar, agora pela 27ª rodada da competição nacional, em um dos confrontos mais charmosos do futebol, também chamado de Clássico das Multidões. Diante disto, a Tribuna convidou dois ilustres torcedores da cidade, o flamenguista Sidney Vieira – o Futrica -, e o tricolor Suca, para recordarem embates entre os dois clubes que não saem das respectivas memórias, em mais um capítulo da série “Meu Clássico Inesquecível”.

O tricolor Suca (Foto: Arquivo Pessoal)

Louco é quem comemora antes

Suca, tricolor

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O ano era 1995. Ano de mudanças, em que me casei e que meu Flu completava 9 anos de fila. Naquele final de semana de junho, mais uma vez, estava indo a Manhumirim, terra de minha mulher, onde já havia estado umas 2 vezes e feito boas amizades.

Chegamos em uma sexta-feira, no final de tarde, e logo notei um movimento diferente na praça principal da cidade. Estavam montando um palco e notei que vários de meus amigos locais estavam na função. Parei o carro e perguntei: “Para que é este palco, pessoal?” E lá de cima veio a resposta. “É para comemorar a vitória do Mengão!” Respondi de pronto. “Calma, galera, o jogo só termina quando acaba!” Repetiria esta frase ainda naquele fim de semana.

Domingo era dia de Fla-Flu. O time de regatas estava comemorando seu centenário aquele ano, e eles tinham, como diziam, “o melhor ataque do mundo: Sávio, Romário e Edmundo”. Meu Flu tinha uma equipe mediana e tinha Renato Gaúcho. Ia ser um jogo terrível e, além disso, o empate era do adversário. Só a vitória nos interessava.

Ainda na sexta combinei com meu sogro de irmos assistir ao jogo na casa de um amigo dele, que tinha assinatura do campeonato e uma família tricolor. No domingo, devidamente uniformizado, cheguei à casa do amigo, que estava em obras. Jogo tenso, optei por assistir em pé, pela janela, do lado de fora. Primeiro tempo, atuação impecável do “timinho”. 2 a 0. Vem o intervalo e o relaxamento. Começa o segundo tempo. Dois a um. Aos 32 minutos, o empate. Agora os campeões seriam eles. A esposa do dono da casa saiu, veio ao meu lado, me pediu um cigarro e disse: “Agora acabou. Já era!” E então repeti a fatídica frase. “Calma senhora, o jogo só termina quando acaba!”

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Com 9 jogadores em campo, aos 41 minutos do segundo tempo, Aílton tira Charles para dançar dentro da área e chuta. Gol! Saí correndo e a primeira coisa que vi foi uma escada inacabada. Subi até onde podia e soltei o grito agarrado há 9 anos! “É campeão!!” Uns dez minutos depois fiquei sabendo que, antes de entrar, a bola bateu na barriga do Renato Gaúcho. Um histórico gol de barriga!

Festa! Vamos para a praça!. “Não, você não vai fazer isso!”, disse minha mulher. É claro que fiz. Subi no palanque e gritei Fluzão campeão p*@#! Rapidamente fui retirado do palco pela turma local. Me chamaram de louco. Eu disse: “Louco é quem comemora antes!”

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Escurinho e o 0 a 0 de 1963

Sidney “Futrica”, rubro-negro

O flamenguista Futrica (Foto: Arquivo Pessoal)

O Fla-Flu marcante na minha vida ocorreu na grande decisão do Campeonato Carioca de 1963, no Maracanã, com mais de 150 mil pessoas presentes no estádio. Bastava um empate para o Flamengo ser campeão. No final do jogo, bola com o Escurinho, ponta-esquerda do Fluminense, que perderia o gol dentro da grande área. Com isso, o clássico estadual terminou em 0 a 0 e com uma grande comemoração da garotada da Avenida Surerus, no Bairro Ladeira. Na época, a Tv era em preto e branco e sempre assistíamos os jogos na casa dos vizinhos. Este foi o primeiro título carioca que me lembro como torcedor rubro-negro.

Pesquisando nos arquivos do vovô Yendis – em breve lançarei meu livro, o jornalista Thiago Stephan deverá escrever -, há a precisa descrição na obra “O Vermelho e o Negro”, que relembra alguns dos atletas presentes neste clássico inesquecível, bem como o comportamento dos fãs presentes no Estádio Jornalista Mário Filho: “Um dos grandes momentos decisivos de Carlinhos como jogador foi o Fla-Flu decisivo do campeonato de 1963, quando liderou o time no empate de 0 a 0 que deu o título ao Flamengo. Naquele jogo, no dia 15 de dezembro, registrou-se o maior público entre dois clubes no futebol brasileiro: 177.020 torcedores, fora os penetras e caronas.

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O Fluminense precisava da vitória e martelou o jogo inteiro em busca do gol. E, aos quarenta minutos do segundo tempo, quase o conseguiu: Escurinho, ponta tricolor famoso pela velocidade e por chutar para fora, entrou livre na área e só tinha o goleiro Marcial pela frente. Naquele instante, deve ter-lhe ocorrido repetir um célebre gol de Babá contra o Fluminense, num Fla-Flu de 1956, em que o ponta rubro-negro, com um toquinho, encobriu Castilho.

Então, com grande categoria, Escurinho deu o toquinho para também encobrir Marcial. Seria a vingança, a consagração e o título. Mas Escurinho esquecera-se de que Marcial, que já vinha fechando o gol naquele jogo, podia não estar de acordo – e Marcial, com ainda maior categoria, apenas esticou o braço e pegou a bola com uma só mão. Foi das poucas vezes em que uma torcida (a do Flamengo, naturalmente) explodiu numa gargalhada, antes de respirar de alívio.”

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