Alguns jogadores que estarão em campo pelo Haiti diante do Brasil no jogo da Copa do Mundo desta sexta-feira (19) já foram comandados pelo treinador Rafael Novaes. Com passagens por Tupi, Tupynambás e Villa Real, o técnico juiz-forano trabalhou durante cinco anos no país caribenho e acompanhou de perto a formação de atletas que hoje representam a seleção haitiana no cenário internacional.
Novaes atuou no projeto Pérolas Negras, iniciativa voltada para a formação de atletas, e também integrou comissões técnicas da seleção haitiana sub-17 em duas campanhas das Eliminatórias para a Copa do Mundo, em 2013 e 2016.
“Tive o prazer de trabalhar com alguns atletas que hoje representam o Haiti na Copa do Mundo. Jean Jacques Danley, Carlens Arcus, que esteve até em Juiz de Fora numa excursão, o Etienne, atacante, e o goleiro Duverger são alguns deles”, relembra.
Por manter contato com parte desses jogadores e acompanhar a evolução da equipe nacional, o treinador diz que observa com atenção a trajetória haitiana até a Copa. Segundo ele, o país conseguiu revelar atletas talentosos mesmo enfrentando dificuldades estruturais.
“Fiquei surpreso com a qualidade de alguns atletas, mas é claro que falta a base, a formação de atletas. Eles têm pouco recurso”, avalia.
Após a derrota na estreia para a Escócia, Novaes acredita que o Haiti pode adotar uma postura agressiva diante do Brasil. Para ele, a equipe já alcançou um feito histórico ao disputar a competição e não terá pressão para buscar o resultado.
“O Haiti não tem nada a perder. Vai para cima, tem uma transição rápida e pode surpreender. É um time que já está fazendo história. Marcar um gol seria uma grande realização. Alguns atletas saíram cedo do Haiti e foram jogar em outros países mais consolidados no futebol”, explica.
Entre os destaques da equipe haitiana, o treinador aponta jogadores experientes que podem criar dificuldades para os adversários.
“Devemos ficar de olho no Ricardo Adé, que joga na América do Sul. O Danley, o Arcus, o Bellegarde, o Isidor e o Nazon, que é o principal artilheiro da seleção”, aponta.
Além da convivência com atletas e dirigentes, Rafael Novaes guarda lembranças da paixão dos haitianos pelo futebol brasileiro. Segundo ele, o esporte ocupa um espaço central na cultura do país.
“O haitiano é mais apaixonado pelo futebol do que o próprio brasileiro. Quando tem Copa do Mundo, metade torce para a Argentina e metade para o Brasil. Eles adoram o futebol brasileiro. Gostam do futebol bonito, do Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno e Neymar”, conta.

