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Nada no balaio: Três alqueires e uma vaca

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A situação não é nada boa. Há tanta coisa a ser feita que, de repente, maio está parecendo agosto. Correria doida. Para dar conta, é preciso fazer, literalmente, das mãos os pés. Tivesse ficado na roça, talvez fosse dono de uma boa casa, com três alqueires e uma vaca. Mas não vale chorar o leite derramado. O jeito é tentar dar conta do recado. Foi pensando nisso que resolvi comprar um carro. Calculei os recursos disponíveis e consegui chegar a um Uno 2001.

O mecânico referendou a compra, mesmo sem ter dado uma voltinha sequer na máquina. Mas valeu o palpite. O carro, considerando a velocidade média na área central da cidade, não deixava a desejar. Não fosse uma gasolina duvidosa, não teria dor de cabeça alguma. Foi na semana passada. Abasteci e não demorou muito para o danado começar aquela tosse de coqueluche. Andou mais 200 metros e parou na subida da Rua Marechal Deodoro próximo à Avenida Olegário Maciel.

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Nessa altura dos acontecimentos, meia dúzia de compromissos estava comprometida. Virava a chave e nada. São nessas horas que a solidariedade do brasileiro fala alto. Quatro boas almas que passavam voltando do trabalho me ajudaram a conduzir o carro até uma área segura e plana. Passei, então, à árdua tarefa de encontrar um mecânico. Uma hora depois o sujeito apareceu. E, como sempre acontece, limpou as mãos em uma estopa suja, virou a chave e o carro ligou.

Retornei para casa com todos os compromissos adiados. Foi, então, que criei coragem para assinar o pacote do Campeonato Brasileiro. É isso mesmo. Não estou dando a mínima para a política do "pão e circo", para os desmandos da CBF, para o Celso Roth no Cruzeiro, para o estrelismo do Moacyr Júnior. Aos trancos e barrancos, está para começar o melhor campeonato de futebol do mundo. Isso é o que realmente importa.

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