Sim, é uma boa vantagem!
Presente na enciclopédia da sabedoria popular brasileira, a Lei de Gérson determina que é perfeitamente justificável agir de forma duvidosa com o objetivo de se obter vantagem em tudo. Certo? Pensando em termos futebolísticos, corretíssimo! Vale jogar com quatrocentos na defesa, quinhentos no meio de campo e um atacante isolado para conquistar um resultado favorável. Às vezes, 1 a 0 é goleada. Não foi o caso do Tupi, no primeiro jogo da decisão contra o Santa Cruz. A vitória mínima em casa foi mais por méritos do adversário, firme na defesa durante os 90 minutos e apostando a maior parte de suas fichas no duelo de depois de amanhã, no Mundão do Arruda, do que por apatia carijó. Mas, levando em conta a matemática torta dos regulamentos da bola, onde um mais um nem sempre é igual a dois, o resultado foi sim vantajoso.
O triunfo no Municipal deu ao Tupi a possibilidade de empatar, ou até mesmo perder por um gol, desde que balance as redes pernambucanas, para conquistar seu primeiro título nacional. Taça que viria em boa hora, às vésperas do centenário do clube. Porém, contrariando tudo isso, a melhor vantagem do Carijó é sua principal virtude: ser um time que, invariavelmente, joga o futebol em sua essência e ataca por instinto. Melhor que a Lei de Gérson é a Lei de Ademilson, Drubscky e Cia., que rege que vantagem mesmo é marcar gols sempre que possível.
E o Tupi vai lá. Com a coragem de quem vai dar a cara a tapa a 60 mil pessoas. Sem se apequenar. Não sei se o técnico do Santa Cruz acredita mesmo que o Galo Carijó irá abandonar suas características e jogar recuado, pelo resultado, conforme declarou durante a semana. Prefiro acreditar que seja uma estratégia psicológica, similar a dizer que vai atuar com trezentos no ataque. Se Zé Teodoro realmente crê nessa possibilidade, não conhece seu adversário. E aí pode residir uma vantagem muito melhor que qualquer combinação de resultados.
