‘Não dá uma falta no Fred, uma!’
Ou, você não tem noção, a única coisa que eu quero ver antes de morrer é meu time campeão da Libertadores.
A bola não vai chegar no Fred não.
Onde é que você viu falta aí, juju?!
Pô, tô num rango danado.
Nooossa, tá lutando muito o Deco hoje, heim, véio?
Ao Luxemburgo! ‘Marca só uma falta no Kleber…’ Pô, esse cara tá de sacanagem?!
Não, Mário, vai lá fazer uma charge lá, não vem secar não.
(…)
Pô, não dá uma falta no Fred, uma!
Quê isso, tenho que ver o jogo lá em casa, a uruca aqui é muito forte. Agora tenho que fazer a minha parte contra o Flamengo.
Isso foram dez minutos de Fluminense 2 x 2 Grêmio ao lado de um tricolor que tem aqui no jornal. Agora multiplica isso daí por nove e vai ter uma noção de como é que a gente sofre.
Eu tento tranquilizar o rapaz. Falo com ele há umas cinco ou seis rodadas que o Fluminense já é campeão. Com o aproveitamento que tem, com as coisas que têm acontecido durantes os jogos, com a objetividade absurda do jogo de Abel Braga, não tem para Grêmio nem para Atlético, que pagam hoje o preço de uma oscilação normal dentro do campeonato. Anormal é a regularidade tricolor.
Na semana passada, escrevi que o Fluminense será campeão por dois motivos: Diego Cavalieri e Fred, no que fui criticado por um leitor, cujo nome não posso registrar, porque ele não se identificou. Uma pena, porque seu argumento era bem elaborado. Mas, veja bem: ontem Fred não marcou, e Diego Cavalieri, em uma noite atípica, foi vazado duas vezes. Não fizeram diferença, e assim o Fluminense não conseguiu ser diferente de um Grêmio que jogou a maior parte do segundo tempo com um jogador a menos.
Se poucas vezes sobrou em campo ao longo do campeonato, o Tricolor fez o que era preciso para sobrar na tabela. E será, com justiça, o campeão brasileiro de 2013. Mesmo o juiz não dando uma falta no Fred, uma!
