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Nada no balaio

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Avisa lá

Às vezes era preciso ir até a porteira duas ou três vezes ao dia para pegar ou deixar alguma encomenda. Tudo por conta do rádio. Meu tio ligava para o locutor e pedia para avisar lá em casa que era para deixar o pacote no toco na beirada da estrada no horário do ônibus da manhã. Na volta, geralmente no final da tarde, o motorista ou o cobrador deixava lá alguma outra coisa qualquer. Tudo agendado pelos avisos dos locutores do rádio. Até consulta se avisava pelas ondas curtas. Não tinha erro. Não havia desavisado, até porque eram muitas as testemunhas do recado dado.

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Hoje os meios para se mandar recados são mais pessoais e discretos. Talvez por isso haja tantos desavisados. Os calouros das universidades, por exemplo, deveriam ser avisados, pelo rádio mesmo, ser desnecessária, ultrapassada e enfadonha essa coisa de andar sujo pelas ruas e pedir moedas para tomar cerveja. Seria bom que o locutor lhes contasse da ampla estrutura esportiva do campus, atualmente com apenas um time de vôlei de primeiro nível.

Impressionante também como os times de futebol do Rio de Janeiro demoraram para se dar conta do bom negócio que é jogar em Juiz de Fora. Será que ninguém havia avisado? Quando e onde um Flamengo e Campinense reuniria 20 mil torcedores? E o sossego encontrado aqui pelo desassossegado Vasco? Falta avisar, se é que já não o fizeram, ao Botafogo, dono de uma numerosa torcida juiz-forana, e ao Fluminense.

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