Contendas, vitoriosos e vencidos
É um mundo cruel. Não há lugar para perdedores, senão nas bocas irônicas vertendo veneno no dia seguinte, disparando flechas contra a carne meio morta, meio viva (porque ainda sangra) do derrotado. Ao fim da tarde de batalhas, o vencido, uma vez no chão, não bastasse sofrer nos pés de seu algoz, apanha da língua de qualquer um. Sim senhor, é um mundo cruel. Foi feito para vencedores e apenas para eles.
Por isso, é no fogo das vitórias que as paixões são forjadas. Ninguém ama aquele que cai, e pena é um sentimento que não tem lugar nem na mais vazia das arenas. É no calor das conquistas que os laços são atados de forma a não mais se quebrarem. É ali que as cores se dividem na pele e fundem-se ao sangue do torcedor, despertando um amor muito particular, que só quem brada à rouquidão até o fim da contenda compreende.
Os grandes, os maiores, o são apenas porque são os grandes, os maiores vencedores. Multidões os seguirão e os levarão a novas conquistas em novas lutas. O que está em jogo em uma batalha final não é apenas a vitória na guerra: é a conquista de mais adoradores, que, uma vez atraídos para o séquito, tornam-se soldados capazes de cumprir papel fundamental em futuras campanhas.
Por estas firulas todas – e outras banalidades que qualquer pé-inchado no boteco da esquina sabe – o jogo de domingo no Recife é tão importante para o Tupi. É a chance de fazer crescer uma torcida que foi reforçada por empolgados e defuntos ressuscitados nas últimas semanas. A campanha, que já é histórica, deve mesmo arregimentar novos carijós independente do resultado do jogo contra o Santa Cruz domingo. Mas um título nacional provavelmente garantiria ao Estádio Mário Helênio uma ocupação mais parruda no ano do centenário alvinegro.
