No início deste mês, a cidade recebeu a confirmação de que estará integrando efetivamente os Jogos Olímpicos de 2016. Antes do início da maior competição multiesportiva do planeta, Juiz de Fora será a sede dos treinamentos de aclimatação da equipe de atletismo da China. Desde o ano passado, os orientais vinham negociando a utilização das instalações do conjunto de modalidades de pista e campo do complexo esportivo da Faculdade de Educação Física e Desportos (Faefid) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
O acordo entre a instituição de ensino superior local e a Administração Nacional de Atletismo Chinesa, correspondente à Federação de Atletismo do país asiático, foi sacramentado no dia 4 de agosto, logo após uma delegação de seis técnicos e dirigentes, além de cinco atletas, entre eles o medalha de ouro na marcha atlética de 20km nas Olimpíadas de Londres 2012, Ding Chen, visitarem o local. Agora, os envolvidos direta e indiretamente na vinda dos chineses começam articulações buscando aproveitar ao máximo a oportunidade aberta pela confirmação da estadia dos orientais, que trarão a Juiz de Fora um grupo de cem pessoas – entre competidores, treinadores e cartolas – mais um ainda desconhecido número de jornalistas de todo o mundo.
Segundo o diretor da Faefid, Maurício Bara, para a estadia dos chineses terá desdobramentos importantes, mesmo que ainda não se tenha dimensão de seus efeitos nesse momento. É um pouco difícil dimensionar o que será isso. Pensando de uma maneira mais prática, a vinda da equipe de atletismo de uma potência olímpica como a China, com medalhas de ouro na modalidade, vem colocar o que há de melhor no esporte de alto rendimento aqui, dentro da nossa casa. E isso tem um efeito multiplicador e gerador de respostas positivas a curto e médio prazo muito grande. Os professores poderão ter contato com grandes treinadores do mundo. Já temos qualidade aqui, mas o contato às vezes faz falta. Até para vermos se estamos fazendo correto. Passamos também a influenciar uma geração de alunos dentro do esporte competitivo. A educação física se afastou durante muito tempo do esporte, e o perfil mudou do aluno e do profissional. É uma oportunidade de voltar esse foco para o esporte de um modo geral, acredita.
Perfil ideal
Bara destaca que a vinda específica de uma delegação das provas de pista e campo é oportuna por conta da tradição de nomes de destaque da Faefid em seus quadros, além do equipamento de excelência da faculdade. Casa com duas coisas muito importantes. Uma é a estrutura. Temos uma pista de alto nível, nossa menina dos olhos. E um projeto que está em franco crescimento (a parceria da UFJF com o Sesi no atletismo), em uma modalidade que já temos grandes especialistas como o Jorge Perrout, o José Augusto Pereira e o Jeferson Vianna. Então é uma modalidade especial para a faculdade. Quando você permite essa troca de experiências, com a observação da presença dos técnicos chineses junto aos atletas, de métodos de treinamento, além de cursos e palestras que vão ser realizados, isso terá um efeito até difícil de dimensionar para o esporte local e para a Faefid, acredita.
A vinda dos chineses também pode beneficiar outros setores da Universidade. Como explica o secretário geral da UFJF, Renato Miranda, uma das exigências do reitor, Henrique Duque, para celebrar o acordo com a China foi a ausência de pagamento em dinheiro pela estadia e a obrigação do fomento de intercâmbio de conhecimento entre a instituição local e o país asiático. Para isso acontecer, o primeiro passo é discriminar quem virá, qual sua formação e currículo, para que essas pessoas possam dar workshops, palestras e cursos, por exemplo. A partir daí vão se iniciar os convites para que isso se concretize. Por exemplo, se vier um médico na delegação que tenha métodos muito bons, e nisso a China é profícua, ele pode ministrar um curso sobre isso. Não pode ser só um espetáculo, tem que perdurar, e os beneficiados podem ser diversos setores da UFJF com troca de conhecimento, experiências, abertura de portas para intercâmbio, trabalhos acadêmicos, formação, estágios, treinamentos… isso tudo está aberto, acredita.
Retorno de imagem para JF
Segundo a diretora de Desenvolvimento e Empreendedorismo do Juiz de Fora Convention e Visitors Bureau, Thais de Oliveira Lima, ter a hospedagem da delegação chinesa no currículo deve ajudar a cidade a atrair mais iniciativas na área esportiva, e a estadia dos asiáticos contribuirá na divulgação da Princesa de Minas nacional e internacionalmente. Estamos entrando em contato e agendando encontros com representantes da UFJF para podermos iniciar ações e aproveitar essa oportunidade. Já no atual cenário podemos perceber que o nome da cidade ficará mais falado, certamente serão feitas matérias sobre o local no qual o atletismo chinês vai ficar, e a divulgação do município será mais ampla tanto no Brasil como lá fora. Isso para nós é bom, pois quando o Convention busca, por exemplo, captar um evento, fazemos um showcase, e poderemos acrescentar a estadia dos esportistas chineses a ele. Certamente ajudará na atração, principalmente algo no setor de esportes, avalia.
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda, André Zuchi, é preciso preparação para que os asiáticos sejam bem recebidos, pois isso está ligado à imagem da cidade, mesmo que a delegação em si não cause um grande impacto por conta de seu tamanho. Naturalmente vai haver uma movimentação em termos de alimentação, turismo e comércio, mas o impacto maior não é volume. Será mais positivo em termos de divulgação da cidade, dinâmico nesse sentido. Por isso, é importante estarmos bem preparados para recepcionar os chineses e atrair atenção positiva para o município, considera.
