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Jogos Intercolegiais: mais concentrado e mais disputado

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Camila e Murilo, campeões pela Escola Municipal Engenheiro André Rebouças
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Camila e Murilo, campeões pela Escola Municipal Engenheiro André Rebouças

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Os Jogos Intercolegiais de Juiz de Fora estão completando sua vigésima edição em 2011. Além da data especial, a competição tem outro atrativo para as escolas participantes: os primeiros colocados das modalidades irão representar a cidade na fase final dos Jogos Escolares de Minas Gerais (Jemg), em agosto. O município teve classificação direta para a decisão da competição estadual pois será sede da etapa derradeira do campeonato estudantil.

Quem está em quadra, lutando para vencer as partidas e conquistar o título dos Intercolegiais, usa a possibilidade de defender as cores de Juiz de Fora no Jemg como motivação extra. "Já que está valendo vaga, é mais um motivo para nos superarmos. Principalmente agora na final, que jogaremos contra as favoritas. Está valendo a possibilidade de representar Juiz de Fora, e vamos com tudo", disse a armadora central do time juvenil do Granbery, Letícia Rodrigues, 15 anos, na última sexta-feira, ao final do jogo no qual sua equipe derrotou a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio, de São Pedro, de virada, por 12 a 11, na prorrogação, classificando-se para a final da categoria contra a Escola Estadual Clorindo Burnier, marcada para amanhã, às 14h10, no Ginásio do Tupynambás.

Quem já assegurou a vaga comemora a possibilidade de defender as cores de sua terra. "Sabia que havia a possibilidade de conquistar o direito de representar Juiz de Fora no Jemg. Então, isso me motivou ainda mais para vencer. Consegui o título e fiquei muito feliz", disse o aluno da Escola Municipal Engenheiro André Rebouças, do Milho Branco, Murilo Augusto Santos, 12 anos, primeiro colocado no torneio de xadrez na categoria infantil masculino.

Os treinadores também admitem que a disputa da vaga no Jemg apimentou os Intercolegiais 2011 e procuraram trabalhar o lado psicológico de seus atletas. "Nem bati muito com eles que valeria vaga para representar a cidade na competição estadual. Falei que haveria a possibilidade, assim, de passagem. Tudo para eles ficarem mais soltos e sem essa carga extra", explicou a professora de educação física da Engenheiro André Rebouças, Patrícia Coelho, 45 anos. "Nessa nossa categoria (juvenil feminino) do handebol não fez muita diferença, pois tem o Clorindo, que é muito mais forte. Procurei nem falar muito isso para elas, para não colocar uma pressão adicional. Mas, de um modo geral, sim, acho que motiva", disse o técnico do time de São Pedro, Francisco Ribeiro Neto, de 31 anos.

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Embora ainda identifique que o sistema de classificação para representar a cidade no Jemg precise de ajustes, o chefe do departamento da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL), responsável pelos Intercolegiais, Cláudio Esteves, acredita que essa é uma solução que fez diferença. "Essa classificação direta é interessante. Anteriormente, os representantes eram escolhidos por convite. Assim, a disputa fica mais ampla. Em certo ponto, colocou mais um elemento para incentivar as equipes. É o primeiro ano que isso acontece, e creio que, com uma sequência, vai melhorar e acirrar a competição", prevê o dirigente esportivo.

Mudanças

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Para se adequar aos critérios estabelecidos para a disputa do Jemg, os Intercolegiais tiveram que se adaptar. A primeira mudança foi o estabelecimento de duas faixas etárias determinadas, como na disputa estadual. Assim, a partir de 2011, os alunos atletas são divididos em infantil (para nascidos entre 1997 e 1999) e juvenil (entre 1994 e 1996), tanto no masculino quanto no feminino. Um atleta mais novo, mesmo que tenha a capacidade, não pode participar da categoria acima, assim como os mais velhos não podem descer. "Essa adequação etária se mostrou benéfica. Acredito que seja mantida para os próximos anos", avalia Esteves.

Outra mudança foi o número e as modalidades no programa da competição local. Já foram disputados os torneios de peteca, xadrez e judô, modalidade que retornou aos Intercolegiais após vários anos sem ser disputada. O handebol está em andamento, e estão previstas ainda partidas de basquete, futsal (somente masculino), vôlei e tênis de mesa, além de provas de atletismo – incluindo os portadores de necessidades especiais – e natação.

Duas modalidade ficaram de fora por não fazerem parte do Jemg e serão disputadas após o meio do ano. "Tivemos que adequar as disputas ao que acontece na competição estadual. Assim, dois esportes tradicionais dos Intercolegiais, a queimada e o futebol, vão acontecer no segundo semestre. As próximas competições são o torneio de vôlei, no final de abril, assim que terminarmos o handebol, e a natação, prevista para acontecer nos dias 30 de abril e 7 de maio", conta Cláudio.

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Velocidade

Como o Jemg acontece em agosto, as disputas dos Intercolegiais 2011 ficaram concentradas nos primeiros meses do ano. "O que aconteceu esse ano de mais diferente foi mesmo a velocidade com que os torneios estão sendo realizados. Em quase todas as modalidades, o sistema adotado foi a dupla eliminatória – no qual o time ou esportista que perde duas vezes é eliminado da competição. Somente o futsal será feito por chaves, devido à grande procura. Como tudo tem que estar definido em junho, houve essa necessidade de acelerar", explica Esteves.

A rapidez dos Intercolegiais gerou críticas ao sistema. "Para se ter uma classificação para o Jemg mais justa é preciso fazer uma competição maior. Belo Horizonte organiza um campeonato de três ou quatro meses. Aqui você se prepara o ano todo e pode jogar só duas vezes. Então, não há como motivar os alunos e alunas a continuarem a treinar. Não existe objetivo. Esse aspecto precisa evoluir", diz o técnico do Granbery, Carlos Augusto Gribel, 44 anos.

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Os classificados

Até agora, Juiz de Fora já conhece seus representantes no Jemg em três modalidades. Na peteca, a Escola Estadual Clorindo Burnier vai levar o nome da cidade tanto no masculino quanto no feminino na categoria infantil. A Academia de Comércio joga no juvenil feminino, e o Colégio Equipe, no masculino.

No xadrez, a cidade será representada pelos três melhores colocados no torneio dos Intercolegiais. No infantil masculino, jogam Murilo Augusto Santos (Engenheiro André Rebouças), Pedro Ferreira Lage (Academia) e Ricardo Penido Reis Simili (Academia); no infantil feminino, Camila Aparecida da Silva Ferreira (Engenheiro André Rebouças), Miliane Martins (Escola Municipal Doutor Paulo Japiassu) e Mayara Santos (Paulo Japiassu); no juvenil feminino, Camila Rangel da Silva (Academia), Vitória de Castro Silva (Colégio Militar) e Ingrid de Moraes Ribeiro (Academia); e no juvenil masculino, Vinícius Albuquerque Cabral (Academia), Arthur Bernardo Lisboa Webler (Colégio Militar) e Eduardo Moraes Lopes (Colégio Santa Catarina).

No judô, o Colégio Militar dominou todas as categorias. A instituição de ensino ganhou assim o direito de representar Juiz de Fora no Jemg nas categorias infantil masculino, juvenil feminino e juvenil masculino. A divisão infantil feminino não teve atletas inscritas.

Volta de olho no Jemg

Dois colégios fizeram dos Intercolegiais 2011 um marco para seus departamentos de esportes. O Colégio dos Santos Anjos e o Colégio Santa Catarina voltaram à disputa da competição e, apesar de os responsáveis por esse retorno dizerem que não era a motivação principal, a disputa de uma vaga no Jemg é considerada por eles um charme especial para a competição.

Para o professor de educação física do Santa Catarina, Haroldo Carvalhido, 32 anos, a classificação de um de seus alunos como representante local no Jemg foi algo a se comemorar. "Pedi a autorização da direção do colégio para entrar somente no xadrez, para incentivar a prática do esporte que começamos aqui no ano passado. Conseguimos e, como prêmio, obtivemos a classificação do Eduardo (Lopes) para a competição estadual. Foi muito bom para a modalidade e para a escola."

Já a diretora geral do Santos Anjos, irmã Terezinha Tomazi, 63 anos, ainda aguarda a estreia de seus alunos na competição, já que o colégio se inscreveu no basquete infantil masculino e no futsal infantil e juvenil. Mas prevê que a disputa do direito de defender Juiz de Fora diante do estado todo será um elemento a ser destacado nos torneios. "Esse retorno faz parte de uma política de incentivo à prática esportiva. Embora não tenhamos voltado somente pensando nisso, a possibilidade de representar a cidade no Jemg vai dar um molho especial às disputas."

Surpresas no xadrez já projetam a disputa estadual

O torneio de xadrez deste ano nos Intercolegiais revelou uma grata surpresa: dois alunos da mesma escola pública local, a Engenheiro André Rebouças, venceram tanto no masculino quanto no feminino da categoria infantil. Os próprios atletas e a responsável pela modalidade se surpreenderam com o resultado, e agora planejam a preparação para representar Juiz de Fora no Jemg.

"Já sabíamos que eles tinham talento. Há seis anos trabalhamos, com dificuldades, para implementar o xadrez aqui na escola, e eles sempre se interessaram. Acreditava que poderiam ir bem, talvez ficar entre os três primeiros. Mas, vencer, inclusive passando por jogadores que têm mais frequência de treinos que eles (os garotos da escola praticam uma vez por semana), foi surpreendente", conta Patrícia Coelho.

Para o vencedor da categoria infantil masculino, Murilo Santos, os planos na competição eram mais modestos e, agora, a intensidade dos treinos tem que aumentar. "Não esperava ganhar. Queria ir bem, ficar entre os cinco primeiros talvez. Fiquei muito feliz quando venci. Agora é treinar mais do que já treino, estudar e dar o máximo de mim, pois estou muito motivado para competir por Juiz de Fora", garante.

Já a campeã no infantil feminino, Camila Ferreira, 13 anos, teve uma série de surpresas e considera o Jemg mais do que apenas uma competição. "Nem sabia que poderia representar Juiz de Fora e não considerava que pudesse ganhar. Então, quando venci, tive uma surpresa dupla. Agora, vou dar o melhor para fazer bonito. É uma grande oportunidade defender minha cidade. Isso pode mudar minha vida." 

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