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Mulher coragem

jessica ultrapassa os 80kmh dependendo das descidas foto fernando priamo

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jessica ultrapassa os 80kmh dependendo das descidas foto fernando priamo
Jessica ultrapassa os 80km/h dependendo das descidas (Foto: Fernando Priamo)
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Para a juiz-forana Jessica Souza, não basta defender o skate feminino com resultados, como o vice-campeonato do Circuito Capixaba de 2013, ou na série “Curvas e Ladeiras”, na qual participou em canal de TV fechada. Mãe de Ianm Souza Marra logo aos 17 anos e hoje com 25, a atleta exalta a força da mulher no esporte em seu dia a dia, paralelamente ao trabalho na sua empresa de limpeza especializada com o marido Bruno Marra. A coragem da desportista foi comprovada de perto pela Tribuna, que encontrou o casal em estrada próxima à Belmiro Braga. Sobre o seu skate longboard, a jovem chegou a altas velocidades sobre as rodinhas em descidas radicais a mais de 80km por hora cercadas de natureza, com sentimento relatado logo em seguida.

“É a melhor coisa do mundo, inexplicável. Uma sensação de capacidade de superação indescritível. Não tinha nada que me apaixonasse, mas comecei o skate como hobby, e as oportunidades foram aparecendo. Não esperava isso, ao menos com essa intensidade. Em 2013 vi que não tinha uma consciência física para poder praticar ao extremo, que é o que mais me interessa, e corri muito atrás de conquistar uma forma física que suportasse essas situações”, relembrou, ofegante, a atleta que se condiciona atualmente na Vidativa, com o professor Guilherme Acácio.

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Há três anos, Jessica concedia entrevista rechaçando o rótulo de “gatinha do skate”. Hoje, mais madura, a atleta lamentou as poucas mudanças. “Espero ter minha prática de skate estimulada, porque se eu quisesse ser modelo, faria, exploraria, não é falta de conhecimento. É que nem tudo o que posso, tenho que fazer. Já inclusive passei a contestar meu skate pela forma como empresas abordaram meu trabalho”, relatou, complementando possuir a ciência de que o processo é lento. “Demanda tempo por ser uma característica da sociedade. A mulher desde sempre tem o corpo estereotipado como atrativo. Fico triste, mas infelizmente tento ir educando meu filho para não enxergar nenhuma mulher como objeto.”

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Objetivos

Apesar de não ser obcecada pelo pódio, Jessica alimenta o sonho de obter renda com o que realiza por paixão. “Meu principal foco agora é conseguir apoiadores. Pelo fato de não ser competitiva, a única coisa que muda é que não tenho ambição extrema do primeiro lugar, mas amo a situação de competição, e a maior troca de vivência acontece nesses momentos podendo encontrar amigos e referências de todo o Brasil. E em todas as etapas de Mundial fico cara a cara com meus ídolos. A situação de competição fomenta a paixão pelo esporte”, explicou. Entre as garantias de retorno aos apoiadores, Jessica lembra que sua modalidade traz grandes nomes de velocistas sobre rodas do país para a cidade. “O downhill (declive) movimenta um mercado de turismo esportivo na cidade. Recebemos frequentemente atletas de todo o Brasil.”

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