O lutador juiz-forano Bruno Carvalho (Academia BCT/Juiz de Fora e Academia CM System) tem um importante desafio no Dream 17, que será disputado hoje, no Japão. No principal evento de vale tudo da Terra do Sol Nascente, o local enfrenta o anfitrião Eiji Mitsuoka, na categoria até 70kg. Faixa preta no muay thai e marrom no jiu jitsu, Bruno fará sua oitava luta no MMA e já possui seis vitórias em seu currículo. Considerado um dos principais strykers do MMA no Brasil, Bruno já assinou contrato para mais duas lutas no Japão. O lutador quer aproveitar a oportunidade no Dream para realizar o sonho de chegar ao K-1, um dos maiores eventos da modalidade em todo o mundo.
FOGO MORTO
O principal time da minha cidade tem a mesma base há pelo menos 20 anos. Não tivesse rompido no mundo, seria titular, como era até os 15 anos. Talvez daqui mais alguns anos volte para lá e reassuma a titularidade. Não duvido nada de que a turma ainda será a mesma. A falta de renovação, segundo os próprios remanescentes, não se deve à entressafra de talentos ou à eterna boa fase dos velhos titulares, mas ao desinteresse das novas gerações. As peladas ainda existem, mas não fazem frente aos atrativos trazidos pelo processo de interiorização da modernidade.
Aqui, tem um campinho de terra batida perto da minha casa, no Vale do Ipê, que não recebe mais visitas dos peladeiros. Os meninos e a bola sumiram de lá sem deixar aviso. Outros, mais velhos e mais bobos, até são vistos no local, mas correm e se escondem quando os policiais fazem ronda pela região. Os portões das garagens não têm mais marcas de bolas. Os vidros das janelas estão sempre inteiros. Nas quadras de aluguel espalhadas pela cidade, apenas veteranos exibem seus talentos.
Na TV, ouvi recentemente uma meia dúzia de renomados comentaristas declarando seus desencantos com a nossa Seleção. Querem cuidar apenas de seus times, muito mais por pirraça do que por gosto. E, a bem da verdade, ninguém tem dado a mínima para essa Copa América. Tudo bem que as próximas fases podem elevar a audiência, mas ainda assim nada muito convincente. Posso não concordar, mas o Mano Menezes tem mesmo razão, o Brasil não é favorito. Triste é ele ter admitido isso.
A sem-gracice da nossa Seleção, a solidão do campinho do Vale do Ipê e o sumiço dos meninos peladeiros parecem demarcar a chegada de um tempo estranho. A virtualidade permite ao ex-peladeiro ser Cristiano Ronaldo ou Messi e até mesmo criar um time e escalar suas estrelas. Tudo isso sem sair de casa, sujar roupa ou ganhar uma cicatriz, como se fosse possível fazer brotar atletas sem que se saia de casa, suje a roupa e ganhe cicatriz. O nosso futebol já não encanta mais, está de fogo morto.
