Patriarcalismo
Na última terça-feira, enquanto alguns rubro-negros se aglomeravam na porta do hotel em que a delegação do Flamengo desembarcou na cidade, no Rio de Janeiro, o técnico Luiz Felipe Scolari indicava seus 23 atletas para a disputa da Copa das Confederações. A ausência de Ronaldinho Gaúcho, que vive boa fase no Galo, é discutível, dependendo do que for analisado pelo interlocutor.
Felipão sempre foi aglutinador. No Grêmio, venceu a Copa do Brasil de 94, Libertadores de 95 e Brasileiro de 96. No Palmeiras, também conquistou a América e, no ano passado, venceu a Copa do Brasil, com um time sofrível e dependente de uma única jogada: as cobranças de falta de Marcos Assunção. Todos esses tentos foram vitórias em torneios de tiro-curto. Independente da qualidade dos elencos, a busca do Big Phil, sempre foi pela união, seja em discursos de superação e palestras motivacionais, ou mesmo no afastamento ou não convocação de possíveis jogadores problema. É a sua forma de fazer a coesão do grupo, como dizem os boleiros.
Quem não se lembra do clamor nacional para a convocação de Romário em 2002? Felipão apostou na recuperação de Ronaldo, que ainda não tinha atuado em nenhuma partida oficial até o início da Copa, após a grave lesão no joelho. Onze anos depois, é inegável que Ronaldinho Gaúcho esteja jogando bem. Mas, no Galo, o time joga em função dele. Ele é protagonista. A referência.
Na Seleção é diferente. Além da obrigação da marcação que Felipão cobra de seus comandados, R10 seria obrigado a ser outro tipo de referência: a psicológica. O atleta experiente em um grupo jovem. Mas que referência é que chega atrasada, sem estar em condições adequadas numa concentração? É melhor cortar o mal pela raiz.
Na família Scolari, quem manda é o patriarca. Com a amarelinha só tem espaço para um chefe de estado.
* Wendell Guiducci volta a escrever neste espaço em junho
