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Na orelha da bola: King Ferguson I

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Domingo, no Esporte Espetacular que raramente assisto, eu vi Falcão e Toninho Cerezo, estas duas lendas do futebol brasileiro, batendo um papo com o narrador, apresentador e piadista Cleber Machado. Foi uma conversa bacana, lembrando dos tempos da Seleção Brasileira, de Roma e tudo mais, e também falando sobre o clássico Bahia x Vitória que protagonizariam, como treinadores, à tarde (e que terminou num chatíssimo 0 a 0).

E novamente veio à tona aquela história de que ser técnico do Brasil é muito duro, porque você perde três jogos e já é demitido e não sei mais o quê. Eu concordo em gênero, número e grau. Ninguém dá tempo para treinador trabalhar no Brasil. O caso da demissão do Alexandre Grasseli no Tupi (esse perdeu só duas e já rodou) é diverso: ali foi a diretoria tentando reparar um erro clamoroso que cometeu ao contratar Grasseli, que nada sabia de Juiz de Fora ou do Tupi. Mas, de uma forma geral, eu sou absolutamente contra esse clichê da dança das cadeiras.

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Veja um dos maiores clubes do mundo, o Manchester United, da Inglaterra: é comandado há 26 anos pelo mesmo treinador. Cara, Alex Ferguson não é técnico de futebol, é uma instituição britânica, mais que isso, uma instituição do esporte bretão em escala mundial. Apesar de ser casca grossa pra diabo – furioso, já acertou, mesmo que por acidente, uma chuteira naquela cara bonita do David Beckham e lhe abriu um rombo no supercílio, assim, tipo soco do Holyfield, depois de uma derrota para o Arsenal (não o de Sarandí, o de verdade) -, jamais perdeu braço de ferro para jogador, por mais estrela que fosse. Está lá, irremovível como o próprio Estádio Old Trafford, e nessa já ganhou, anotem aí, uma dúzia (isso são 12) de edições da Premier League, que é o Campeonato Inglês. Liga dos Campeões ele ganhou duas, e, embora os ingleses não liguem para isso, só para constar, ganhou também um Mundial de Clubes. Isso sem contar os títulos de Copa da Inglaterra, Supercopa disso e daquilo e outros menos cotados. Ah, e é bom que se registre: antes de chegar ao Manchester, foi técnico do Aberdeen, da Escócia, por oito anos, período em que ganhou três vezes o Campeonato Escocês.

Eu poderia falar também do Ryan Giggs, jogador que vai para sua 22ª temporada no Manchester, com 36 canecos na estante (me refiro a troféus, os canecos de chope ficaram todos com Eric Cantona), mas isso é assunto para outra hora, porque é até mais comum um atleta – como Marcos, Rogério Ceni, Maldini – ficar a vida toda em um clube do que treinador. O escocês Sir Alex Ferguson não era nem para ser Sir, era para ser King (Rei) Alex Ferguson, viu, dona Rainha Mãe? Devia passar esse cetro pra ele em vez do nobre Charles. Já pensou? A Europa afundando em crise, o euro indo para o beleléu e King Ferguson conduzindo a Grã-Bretanha através da tormenta, como um rochedo inabalável elevando-se sobre o Mar do Norte. Eita, ferro! Sorte da Argentina que na época das Malvinas a primeira-ministra era a Margaret Thatcher, aquela flor. Fosse Alex Ferguson Rei Supremo das Ilhas Britânicas, nossos vizinhos a sudoeste seriam brothers e não hermanos a esta altura do campeonato.

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