
Se a primeira ultramaratona não é esquecida por atleta nenhum, para Simone Andrade será memorável. No último fim de semana, a atleta local de 37 anos, que estreava numa prova de resistência, foi a campeã feminina e terceira melhor geral no evento de 12h da Rio Ultra 24h, disputada em pista de 400m do Estádio de Atletismo Célio de Barros, no Complexo Esportivo do Maracanã. Ela correu, das 21h45 do sábado (13) às 9h45 do domingo (14), 97,2km (resultado extraoficial) e garantiu o título com um troféu inspirado no da Copa do Mundo. Até o fechamento desta edição, o resultado oficial ainda não havia sido divulgado.
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“Foi uma experiência incrível, porque eu esperava sentir mais fisicamente. Na verdade, a cabeça ficou inteira o tempo todo. Foi muito bonito ver o dia amanhecendo e a forma que tudo aconteceu foi muito natural. As 12 horas não pesaram a ponto de eu querer desistir. Em momento algum eu tive cãibras, náuseas, algo que pudesse colocar minha saúde em risco. A única coisa que eu senti foi um desconforto muscular do tempo que corri, mas nada de mais. Foi uma prova perfeita, uma experiência incrível, um sonho. E vencer foi uma surpresa, porque as atletas são mulheres de rendimento, que já fazem esse tipo de prova, e não esperava ficar em primeiro. Tinha colocado como meta ficar entre as dez. Foi uma prova administrada mentalmente e eu e meu professor (Daniel Fontinelli) ficamos muito felizes”, comemora Simone.
A atleta encarou chuva, calor do Rio de Janeiro (RJ) durante 12 horas e só parou duas vezes durante toda a prova. “A chuva não estava no meu cronograma, e minha prova começou com a chuva mais branda e calor. No decorrer da noite eles foram soltando as parciais. Foram duas. Na primeira eu estava em terceiro lugar, antes das 2h, e, na outra, às 5h20, eu já havia assumido a primeira posição. Fiz duas paradas em tempo pequeno. A primeira foi perto de 1h da madrugada, parei para ir ao banheiro. E a segunda foi para fazer um alongamento após seis horas de prova porque o corpo começou a sentir. Hidratei e fiz uma alimentação adequada e, depois disso, não saí mais da pista. Só fazia pequenas pausas para pegar uma água, uma fruta ou um carboidrato, com meu professor sempre próximo”, conta.
Surpresa com o sucesso no novo desafio que estabeleceu em sua vida, Simone sabe, agora, que não deve parar por aí. “Valeu a pena demais e estou muito satisfeita! E acho que dá para fazer outras. Quem sabe agora uma de 24h?! É uma possibilidade grande!”, projeta.

