Na terra de Pelé, Robinho e Neymar, o conjunto bateu a individualidade. No primeiro jogo do ano da temporada brasileira, a camisa suada levou melhor sobre a cabeleira estilosa. A vitória do Corinthians sobre o Santos na Vila Belmiro dá uma ligeira vantagem ao time do Parque São Jorge. Jogar pelo empate é sempre perigoso, mas não deixa de ser um handicap considerável. O primeiro passo do Timão foi dado graças ao talento de Emerson, na noite em que o Sheik silenciou o Rei, transformando-o em poeta. O gol do camisa 11 foi de rara qualidade, como é também o atacante um jogador raro. Herói e vilão por onde passa. Foi assim na quarta-feira, ao decretar a vitória corintiana e ser expulso após duas faltas desnecessárias.
Emerson é daqueles jogadores que não se explica. Apareceu para o Brasil em 2009. Chegou com uma marra danada ao Flamengo, com a barreira dos 30 anos já rompida. Mordeu a grama na Gávea. Fez juras de amor à torcida. Foi embora, um dia depois, em um carro-forte árabe. Antes, foi campeão brasileiro. Voltou no ano seguinte. Virou a casaca. Foi para o Flu. Marcou gols decisivos. Saiu pela porta dos fundos. Pegou um bonde, cantando marchinhas rubro-negras. Antes, foi campeão brasileiro. Foi parar em São Paulo. Chegou em um turbulento Corinthians, após a eliminação na pré-Libertadores de 2011. Comeu quieto. Comeu banco. Distribuiu canetas aos jogadores são-paulinos. Foi campeão brasileiro.
Na atual temporada, contrariou os prognósticos. Seguiu no Parque. Virou a principal referência ofensiva da equipe. Ontem foi apontado pelo presidente do Santos como jogador de Seleção. Por mais que a escusa após a derrota pareça devaneio, é mais um reconhecimento. No atual cenário brasileiro, Sheik é craque. Se não tem espaço com a camisa amarelinha, acredito que o Márcio, caso não tivesse tido problemas com documentos falsos no início da carreira, poderia ter escrito sua história no selecionado nacional.
