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Na orelha da bola

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Abutres, Raposa e etiqueta no voleibol

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O que tinha de coleguinha esta semana secando o Ronaldinho Gaúcho, para ver se ele daria um perdido no Flamengo por conta de uma tal bolha no pé… Vou te falar, a abutragem é um negócio mesmo. Aposto que tinha gente com o texto já pronto na gaveta, só esperando o Ronaldinho furar o treino de ontem, lembrando do episódio da bolha de Ronaldo na Copa de 2006, da queimadura no pé de Adriano em 2009. O problema de ter de produzir muito material para preencher três ou quatro canais esportivos, não sei quantos cadernos de esporte, rádios e uma infinidade de sites especializados é isso, a rapaziada tem que ficar criando factoide o tempo todo, exagerando, descontextualizando declaração e transformando em manchete, jogando atleta contra treinador, dirigente contra patrocinador e por aí vai. Ronaldinho Gaúcho no Rio tem sido uma dupla decepção para os colegas abutres: em campo, não dá o espetáculo dos tempos de Barcelona, tampouco dá vexame; fora dele, não apronta bagunça para sair em coluna social ou policial. Quando vai para o samba não se esconde, sobe logo no palco, e é no dia anterior à folga. E chega antes que todo mundo no treino e sai depois. E comportamento exemplar não vende jornal, né?

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Me conta o Ricardo Miranda que o Neto, aquele comentarista que jogou bola e os corintianos inexplicavelmente idolatram como um dos maiores atletas da história do clube – aliás, é explicável, mas é um assunto praticamente acadêmico, chato e modorrento para ser discutido aqui -, disse que o Cruzeiro é o melhor time do Brasil na atualidade. Eu discordo de quase tudo que o Neto diz, mas futebol é matemática. Quem faz mais gol ganha, quem leva mais perde. E um time que tem a melhor campanha na Libertadores, que ganha jogo de 3, 4, 5, 6, 7 a 0… vai falar o quê? Como quase todo mundo, não botava fé no Cuca, mas a Raposa joga hoje o futebol mais vistoso e eficiente das Américas, sem discussão. Se vai cair ou não diante de um San Martin, um Once Caldas ou, vejam só, Fluminense na próxima fase, são outros quinhentos. Até aqui, é o melhor da América. Palmas para o Cuca.

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Teve gente que achou barata a punição ao Sada/Cruzeiro pelo episódio envolvendo o Michael, do Vôlei Futuro. R$ 50 mil. Há quem preferisse um jogo com portões fechados, para que a torcida fosse penalizada pela sua hostilidade. Não vou entrar no mérito, mas vou levantar uma hipótese. O Sada/Cruzeiro distribuirá uma cartilha hoje orientando sua torcida a não se manifestar contra os atletas do Vôlei Futuro, mas somente a favor do Cruzeiro. Eu nunca, jamais vi isso acontecer em uma arena esportiva, gritar somente a favor de uma equipe (tênis não conta, ali não se grita a favor nem contra, não dá nem para chamar de torcida). Suponhamos, então, que os torcedores do Cruzeiro ignorem a determinação e escolham novamente o Michael para Cristo, mas, escaldados pela repercussão de seus atos na semana passada, excluam a orientação sexual do moço dos insultos. Se passarem o jogo inteiro xingando o cara de filho disso e filho daquilo outro, vai ter denúncia na Justiça Desportiva? E se tiver, haverá punição?

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