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leticia e kico dando um role por bogota na colombiafotos arquivo pessoal

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Letícia e Kico dando um rolé por Bogotá, na ColômbiaFOTOS:  ARQUIVO PESSOAL
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Letícia e Kico dando um rolé por Bogotá, na ColômbiaFOTOS: ARQUIVO PESSOAL

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Daniel procura os caminhos menos óbvios por onde passa

Daniela Stiebler no Caminho de Santiago de Compostela

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Ao invés da visão através da janela do avião ou do carro, imagine poder interagir com a paisagem da sua viagem sentindo o cheiro da vegetação local, ouvindo o som ambiente, recebendo os raios de sol diretamente sobre a cabeça… Mais saudável, econômico e sustentável, o cicloturismo, forma de turismo que utiliza a bicicleta como meio de transporte, dia a dia ganha mais adeptos mundo afora. Embora tenha surgido no século XIX, juntamente com a criação da bicicleta, a possibilidade de uma relação mais próxima e harmoniosa com a natureza tem feito juiz-foranos colocarem seus itens de viagem nos alforjes, partindo rumo ao destino pretendido – ou, em alguns casos, simplesmente sem destino.

Considerado por alguns cicloturistas locais como um “GPS ambulante”, o funcionário público municipal Daniel Carracci, 34 anos, que vive em uma relação com as “magrelas” desde 1995, é um dos adeptos do meio de transporte na cidade. Seu primeiro contato com o cicloturismo aconteceu em 1999, ano em que fez sua primeira viagem utilizando uma bike, quando foi para Valença, na região fluminense do Vale do Aço. De lá para cá, o juiz-forano perdeu as contas de quantos quilômetros percorreu. Desbravador por essência, prefere navegar, ou melhor, pedalar, por lugares pouco pedalados.

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Dentre os percursos visitados estão o Caminho Velho da Estrada Real, compreendido entre as cidades de Ouro Preto e Paraty (RJ), o Caminhos dos Anjos, no Sul de Minas, entre os municípios de Passa Quatro, Itamonte, Alagoa, Aiuruoca, Baependi, Caxambu, São Lourenço e Virgínia, e boa parte do Caminho Novo da Estrada Real, entre Ouro Preto e o Rio de Janeiro. “Quando comecei, as pessoas que faziam isso eram consideradas malucas. Mesmo sabendo que ainda há quem pense que somos vagabundos, este não é o pensamento das pessoas pelos lugares por onde passamos. Sou sempre muito bem acolhido nas vilas que visito. Além de ser uma aventura, já que você viverá situações que um meio de transporte comum não ofereceria, existe a contribuição com a natureza, que pode ter um carro ou avião a menos em circulação. Ao falar que estamos viajando de bicicleta, a recepção é muito mais calorosa”, afirma.

Planilhado

Desde sempre utilizando a bicicleta nos deslocamentos urbanos do dia a dia, a advogada Daniela Stiebler, 46, é outra que também se rendeu às viagens sobre duas rodas. O primeiro roteiro partiu da necessidade de completar o famoso Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, em pouco tempo. “Surgiu a oportunidade da viagem, mas eu não tinha os 33 dias necessários para completar os 860km do percurso a pé. Foi aí o meu start para as cicloviagens. Fiz alguns treinamentos leves antes e, durante a preparação, descobri alguns caminhos aqui no Brasil, mais seguros para quem é iniciante.” Tempos depois, Daniela, que também é nadadora do Clube Bom Pastor, voltou a utilizar a bicicleta em outra viagem. “Na minha casa temos o hábito de criar guias de viagem, com roteiros escolhidos cada vez por uma pessoa diferente. Quando chegou o “guia da mamãe”, escolhi levar meus filhos, naquela época com 11 e 16 anos, para fazer os 98km entre Petrópolis e Juiz de Fora.”

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Diferente de Carracci, Daniela opta sempre pelos roteiros prontos, por questões de segurança. Com dificuldade em arrumar companhia para as viagens, ela diz preferir caminhos planilhados, que já contam com a indicação de albergues e pousadas que serão utilizadas na hospedagem. “Inicio a viagem com tudo resolvido. Já vou com a alimentação preparada, sempre com lanchinhos leves e frutas secas. Além disso, aprendi itens básicos de manutenção da bike, como troca e calibragem de pneus. Se não tiver oficina por perto, faço eu mesma o ajuste.”

Aventura

Se a forma de viagem é divergente entre os xarás cicloturistas, ao elencar as vantagens da escolha eles apontam respostas comuns. “Na bicicleta, pode-se sentir o cheiro, a viagem, o calor. É possível também pegar uma fruta para comer, interagir com as pessoas. Com as cicloviagens, descobri que o ser humano é solidário e acolhedor. Com elas, foi possível perceber que, diferente do que se pensa, existem mais sentimentos bons do que ruins”, elenca Daniela.

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“Para mim, uma das coisas mais bacanas é a realização pessoal de vencer distâncias”, afirma Carraci. “Costumo dizer que viagem de bicicleta é como viver a vida, sempre passando momentos bons e ruins. Já passei frio, dormi em postos de gasolina, sofri tentativa de assalto, além de viver sempre o risco de cair e não ter ninguém para te ajudar. Por mais que você esteja em contato com a natureza, a solidão, já que costumo viajar sozinho, é outro ponto negativo. Mas mesmo que existam os pontos negativos, os positivos os superam.”

Rodando a América

O analista de sistemas Kico Zaninetti, 32, fez uma viagem de bicicleta com amigos por alguns países da América do Sul entre 2010 e 2012, e alguns “bicos” surgiram pelo caminho. “Pedi demissão, vendi algumas coisas e saí para viajar. Pelo caminho acabamos descobrindo uma forma de tornar a viagem mais econômica. Íamos refazendo os sites dos estabelecimentos por onde passávamos. A gente negociava o serviço pelo valor das diárias e ainda conseguíamos um troco.”

Se o lado financeiro é curioso, a questão amorosa é ainda mais surpreendente. Naquela viagem, Zaninetti conheceu a namorada Letícia Tâmara, com quem está junto há dois anos. “Fomos apresentados através de uma amiga em comum. Em 2013, a convidei para vir a Ibitipoca. Começamos a namorar e, de lá para cá, ela é minha companheira de viagens.”

Há aproximadamente três semanas, o casal pegou um voo com destino à Colômbia, para logo depois fazer, em oito dias, o trajeto entre as cidades de Bogotá e Medellín. O objetivo era assistir ao Fórum Mundial da Bicicleta, que acontecia no país. Para 2015, eles planejam viver a mesma aventura viajando para Santiago, no Chile, próxima cidade a sediar o evento.

No quintal

Buscando viajar sempre da maneira mais econômica possível, Zaninetti não vê a falta de dinheiro como empecilho. “Durante a viagem entre 2010 e 2012, conhecemos um brasileiro que estudava na Bolívia. Dormimos por 45 dias na casa dele. Muitas vezes pedimos para montar barraca no quintal das pessoas. As pessoas querem saber de onde a gente vem, para onde vai. Em outros países é melhor ainda, pois ele querem conhecer a história do nosso povo.”

Para quem busca uma aventura mais próxima, a própria Zona da Mata pode apresentar muitos atrativos. “Um roteiro muito legal é ir para Lima Duarte, passar por Ibitipoca e depois seguir para o Sul de Minas. Tem também os caminhos da Estrada Real, bem aqui no quintal de casa”, destaca Zaninetti.

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