Falta profissionalismo
Clube sem advogado, Justiça na era do papel, dirigente debochando publicamente de adversário, auditor votando no Facebook, defensor de porta de tribunal, legislação dúbia, torcedores se matando, clubes financiando torcidas organizadas. Para piorar, tudo isso acontece em um setor que movimenta mais de US$ 1 trilhão no mundo inteiro, reúne milhões entre espectadores e profissionais e tem uma entidade que congrega mais países que a Organização das Nações Unidas (ONU).
Independente do resultado da decisão, na próxima segunda-feira, do Superior Tribunal de Justiça Desportiva no caso da Portuguesa, que escalou um jogador suspenso na última rodada do Campeonato Brasileiro, a situação já deixa uma lição: é preciso rever leis e métodos no país do futebol.
Se temos um código de Justiça Desportiva não é aceitável que haja tanta variação nas decisões da Justiça, que notificações de julgamentos sejam feitas verbalmente, que clubes financiem as quadrilhas armadas que são as torcidas organizadas e queiram sair ilesos.
A perda do mando de campo de Vasco e Atlético-PR após a violência do último domingo foi justa. Perde o torcedor privado de ir ao campo? Sim, mas os clubes perdem a presença da torcida, a renda e sua imagem. Justos pagam por pecadores, mas a causa é nobre.
É preciso responsabilizar e profissionalizar. Acabamos com a bagunça ou a bagunça acaba com nosso futebol.
