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Nada no balaio

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Seedorf, Forlán e Riquelme são as vedetes dos times brasileiros. Os três ainda fazem encher estádios. É bom vê-los em campo. São avessos à correria. Sabem dos atalhos do campo. Os mais moços, com um pouco de paciência, aprendem com tipos assim. Estranho é saber da desconfiança de alguns mais jovens frente à idade do trio, principalmente para quem também está na casa dos 30. Até concordo com a chegada do tempo de desaprender, como ensinou Roland Barthes, mas ainda é cedo.

Também do lado de cá, chamaram a campo um velho craque. Também já passou dos 30 e ainda bate um bolão. Estou falando do Paulo César Magella, o PC da Ronda Policial. Já na próxima semana, ele estará de volta ao ar. Vai reforçar o combalido radiojornalismo de Juiz de Fora. Será o center-half da Solar AM. Posso assegurar que o time é bom. Vale a pena conferir as pilhas do rádio. E pensar que, na sexta-feira próxima, seremos lembrados de que é dia de dar "um tapa na boca do sapo".

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O futebol, como o jornalismo, é um santo ofício sempre a exigir novas levas de sonhadores. Muitas vezes, entretanto, os mais moços veem com desconfiança o andar dos mais experientes. Acreditam, como os seminaristas, que os velhos sacerdotes na autonomia dos gestos, no murmúrio invariável das preces, já não têm mais fé. Não sabem que a rotina do ofício e a monotonia do hábito não significam ausência de emoção.

Com a bola nos pés, Seedorf, Forlán e Riquelme brincam como na pelada de rua, ficam descobertos, são meninos. O PC ainda segue com o andar sereno. Parece caminhar com um breviário aberto. Mas basta puxar o lençol dessa aparente tranquilidade para encontrar certa ansiedade pelo retorno ao rádio. Com um pouco mais de prosa, é possível perceber o mesmo entusiasmo do menino de Santos Dumont que veio fazer teste na PRB-3. Ande, menino, suba o seu capitólio. O tempo de desaprender vai chegar, mas ainda é cedo.

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