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Um busto sem lar

busto feito em fibra de vidro pelo escultor adriano barbosa olavo prazeres11 06 15

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Busto feito em fibra de vidro pelo escultor Adriano Barbosa (Olavo Prazeres/11-06-15)
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Busto feito em fibra de vidro pelo escultor Adriano Barbosa (Olavo Prazeres/11-06-15)

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Quando iniciou uma campanha para homenagear o ídolo Ademilson, Aloysio Guedes não imaginava o que estava por vir. Se parecia difícil a tarefa de reunir R$ 4 mil de 120 doadores para fazer um busto em homenagem ao maior artilheiro que passou pelo Tupi e pelo Mário Helênio (62 gols pelo Carijó, 43 deles no Estádio Municipal), o idealizador não contava com a ação movida por Adê contra o clube, alegando dívidas trabalhistas. Com o atleta afastado do time, uma dúvida permanece: o que fazer com o busto de Ademilson?

“A ideia sempre foi fazer a homenagem no Municipal. Foi aqui que ele fez os gols e se tornou o maior artilheiro do estádio e do Tupi. Mas temos encontrado muitas dificuldades. Mandamos dois ofícios para a Câmara dos Vereadores e ninguém responde se pode ou não. Só queremos essa definição”, diz Aloysio Guedes. “Parece que é cultura no Brasil. O jogador é ídolo, mas esquecem de valorizar. É isso que estão fazendo com o Ademilson. É triste ele ser esquecido.”

Feito pelo escultor piauiense Adriano Barbosa, o busto não pesa quanto parece. Produzido em fibra de vidro, a peça recebeu pintura para se aproximar da aparência do cobre. O momento eternizado na homenagem foi a comemoração do gol no primeiro jogo da final da Série D, contra o Santa Cruz, em 2011. O registro histórico feito pelo fotógrafo da Tribuna Leonardo Costa serviu como referência. Quando o local da homenagem for definido, Aloysio pretende anexar uma placa com o nome de todos os torcedores que contribuíram na campanha.

Sta. Terezinha é destino improvável

O futuro é nebuloso para que o Municipal seja a casa da réplica do artilheiro. A alternativa natural, então, poderia ser a sede do Tupi. Possibilidade que não é descartada, mas também não é recebida com entusiasmo pela presidente do Carijó, Myrian Fortuna. “A manifestação dos torcedores é algo que acontece desde antes da minha gestão. Seria algo que os conselhos Deliberativo e Consultivo teriam que aprovar. Acho que não só ele, como vários outros merecem homenagem. Vários até que não eram profissionais do clube, não recebiam para jogar. Conhecendo a história centenária do Tupi, você se apaixona por ela. Já fizemos outras homenagens, inclusive ao Ademilson.”

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Se o artilheiro alega ter sido despejado por falta de pagamento de aluguel por parte do Tupi, nem o busto se sentiria em casa na sede do Carijó. “De coração, acho que nessa gestão, não. Acredito que se colocarmos esse busto lá ele vai sumir. As partes estão rancorosas. Tanto na sede social quanto em Santa Terezinha, não há a menor chance de colocarmos. Mas o lugar do busto do Ademilson é no Estádio Mario Helênio. Aqui nós temos homenagem ao Zico, ao Pelé. Não pode ter para o maior artilheiro da história do estádio?”, indaga Aloysio Guedes. O Secretário de Esporte e Lazer, Carlos Bonifácio, preferiu não se manifestar, alegando que precisa de tempo para avaliar a questão.

Com a palavra, o ídolo carijó

Aguardando a audiência do dia 2 de setembro, que pode dar uma solução ao imbróglio com o Tupi, Ademilson segue treinando em separado e aguardando o futuro do busto feito em sua homenagem. “Fico triste pela situação, mas honrado com os torcedores, em especial com o Aloysio. Poucos jogadores receberam uma homenagem como essa. Gostaria que fosse no Municipal, pela história que fizemos lá. Espero que, com a ajuda dos torcedores, a gente consiga, para esse trabalho não ser em vão”, diz Adê, emocionado ao lembrar do carinho que recebe do povo juiz-forano.

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“Eu literalmente aprendi a gostar da cidade e do clube. Passei por cima de muita coisa, o que não fiz em clube nenhum. Acho muito difícil, mas não impossível reverter essa situação. Não só atingiu a mim como também a minha família. Aconteceram muitas coisas, e com essa diretoria é muito difícil voltar a jogar.”

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