
Cloves Santos afirma que segundo semestre é bem mais lucrativo para o Tupi (FERNANDO PRIAMO/06-02-15)
A Copa do Brasil tem sido uma mina de ouro para o Tupi. Já classificado para a terceira fase, o Carijó lucrou aproximadamente R$ 680 mil em uma competição pela qual entrou em campo apenas três vezes. Recurso que chega para, segundo a diretoria, aliviar as finanças do clube, além de promover investimentos mais fortes no futebol, que teve um primeiro semestre de orçamento reduzido.
Segundo o vice-presidente do conselho gestor do Carijó, Cloves Santos, o aumento nos investimentos para o restante do ano já estava no planejamento. “Os campeonatos estaduais são muito caros para os clubes. Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro rendem melhores premiações e são nossos principais objetivos. O Tupi está priorizando o segundo semestre por entender que é mais viável economicamente. Fomos humildes no primeiro semestre para termos força no segundo”, afirma o dirigente, na expectativa por outro sucesso Carijó na Copa do Brasil, o que renderia mais uma premiação bruta de R$ 690 mil.
Para efeitos de comparação, a Caldense, vice-campeã do Campeonato Mineiro, entrou em campo 15 vezes para atingir um lucro aproximado de R$ 800 mil. Por isso, passado o Estadual, a diretoria Carijó acredita que esse é o momento de reforçar o elenco. “O grupo recebe premiações por objetivos conquistados que são bastante significativas. Além disso, vamos investir em reforços. O Ramon (atacante contratado no início da semana) já faz parte dessa realidade. E queremos, pelo menos, mais dois jogadores, sendo um centroavante”, destaca Cloves Santos.
Segundo o dirigente, o alívio financeiro representado pela premiação acumulada na Copa do Brasil permite que o clube esteja com a folha salarial em dia. “Só tem a questão Ademilson para resolver, mas é algo bastante pontual.”
‘Fui o único que não recebeu’
A “questão pontual” apontada por Cloves Santos é o processo judicial movido pelo atacante Ademilson. O jogador atualmente está afastado do elenco até que aconteça o julgamento da ação movida por ele cobrando atrasos salariais ocorridos em 2012, 2013 e 2014, além do pedido de pensão vitalícia por conta da lesão no tendão de Aquiles sofrida em 2014. “Os salários não podem estar em dia se eu não recebi. Tenho contrato com o clube até o final da temporada, mas fui o único que não recebeu. Liguei para o Jarbas Rafael (vice-presidente de finanças), e ele disse que o dinheiro estava lá. Avisou que não precisava ir ao clube, que iria depositar, mas isso não aconteceu”, reclama o artilheiro, que está de mudança de Juiz de Fora.
“Fui despejado. Estou no Tupi desde 2007. Nunca paguei aluguel. O clube sempre foi responsável por isso. Recentemente, foi paga uma dívida de moradia de quase R$ 20 mil. Mas do meu bolso não saiu dinheiro. Então, quem pagou? Foram eles. Eu tive que mandar minha família para o Rio de Janeiro, e depois vamos voltar para o Espírito Santo”, lamenta Ademilson.
Se o desfecho da questão parece distante, Cloves Santos não descarta a possibilidade de um acordo com o jogador. “Não houve falta de diálogo. Já tive uma primeira conversa com ele, mas não aceitou nossa oferta. Acho interessante um acerto. Podemos chegar a um acordo, mas isso não pode tirar o foco do futebol. Essa questão já nos atrapalhou no Campeonato Mineiro”, afirma o dirigente, deixando as portas abertas para um retorno.
Apesar da identificação com o clube e com a torcida, Ademilson demonstra mágoa com os dirigentes. “Meu problema não é com o Tupi e nunca vai ser. A questão é com quem dirige. Se fossem corretos comigo, isso nunca teria acontecido. A Myriam Fortuna (Presidente do clube) sabe de tudo, mas não resolveu nada. Quando se faz um acordo, as duas partes têm que perder alguma coisa. Eu abri mão, mas fizeram uma proposta muito ruim. O Cloves tem tudo nas mãos e pode resolver.”
Time esboçado para a estreia na Série C
Enquanto isso, dentro das quatro linhas, o Tupi deve manter a base que eliminou o Atlético-PR da Copa do Brasil para enfrentar o Tombense, na estreia da Série C do Brasileirão, sábado, às 16h, em Tombos. Na atividade de ontem, no Estádio Municipal, o técnico Leston Júnior comandou um treino coletivo apostando no meia Gabriel Davis na vaga do atacante Felipe Augusto. Com isso, Daniel Morais atuou avançado no ataque, enquanto Kaio Wilker, pela direita, Vinícius Kiss, pela esquerda, e Gabriel Davis, centralizado, ficaram responsáveis pela armação de jogadas no meio de campo.
Outra novidade na atividade foi o retorno do zagueiro Fabrício Soares. Após ser impedido de atuar contra o Atlético-PR no jogo de volta pela Copa do Brasil, por um erro no sistema de registros da CBF, o atleta está liberado para atuar e treinou ao lado de Maílson. “Eu fico aliviado. Não saber se vai jogar acaba tirando um pouco o foco. Agora posso ficar mais concentrado, trabalhar e me preparar para essa estreia, que vai ser muito complicada”, comemora.
No coletivo, o treinador montou a equipe titular com Glaysson; Osmar, Maílson, Fabrício Soares e Bruno Ré; Genalvo, Jataí, Kaio Wilker, Gabriel Davis e Vinícius Kiss; Daniel Morais.

