Caros e caras, é preciso analisar a derrota de ontem do Tupi para o Cruzeiro com o peso que ela tem. Claro, um jogo contra uma equipe de Belo Horizonte, ainda mais fora de casa, não é aquele que o técnico olha na tabela e diz nesse, temos por obrigação vencer. Às vezes, nem ao menos considera-se empatar. A verdade é que conta-se esses embates como fora do Campeonato Mineiro, partidas de exceção. Se um clube do interior consegue alguma pontuação nesses confrontos, há que levantar a mão para o céu. Por isso, o impacto do revés por 3 a 0 para a Raposa, em termos de classificação no fim do Estadual, já era previsível mesmo antes de a bola rolar na competição.
Mas, a forma como isso aconteceu é que deve importar, e ela afirma que é hora de correções no Carijó. Logo no começo do jogo, o Tupi levou um gol típico de falha no sistema de marcação da bola parada aérea, quando Wellington Paulista cabeceou sozinho, de dentro da pequena área. Da mesma maneira, em dois escanteios, o time local ainda foi ameaçado por mais duas vezes antes do intervalo. Claro que a ausência do zagueiro Silvio, um dos mais altos, se não o mais alto do elenco, e seu entrosamento com o restante dos integrantes da defesa fez falta, mas não acredito que tenha sido determinante para as ameaças aéreas do Cruzeiro, e sim a distribuição da marcação dentro da dinâmica de movimentação do adversário, ou seja, o você pega esse, eu aquele, e ninguém abandona seu. Para mim, esse é o ponto a ser trabalhado pelo técnico Moacir Júnior.
A partir da metade do primeiro tempo, ainda sem ameaçar, o Tupi passou a dominar o jogo de domingo, saindo para o intervalo confiante. Na volta, o Cruzeiro não viu bola, exceto o goleiro Fábio, salvando seu time de tomar um empate com dois milagres seguidos no chute de Michel Cury e no toque de Henrique no rebote. Outras chances apareceram, com Ademilson e Allan, e aqui entra outro ponto que deve ser trabalhado por Moacir: a falta de gols.
Então, como a maioria das partidas contra times de Belo Horizonte, houve uma situação na qual o juiz ignorou um pênalti a favor do Carijó – jurei que não falaria de arbitragem esse ano, por isso, só o registro da falta de Léo, dentro da área, em Henrique -, e o Cruzeiro se aproveitou de dois lances isolados, fazendo o segundo e o terceiro gols e liquidando a partida. Assim, mesmo não jogando mal, o Tupi perdeu por um placar dilatado. Menos mal que a terceira derrota do time no Estadual deu ao novo técnico o diagnóstico do que precisa ser corrigido nas próximas duas semanas de trabalho. E, se eu conheço bem o Moacir, serão de trabalho intenso.
