O novo circuito será construído em Bugesera, na Província Oriental de Ruanda, a aproximadamente 40 quilômetros ao sul de Kigali, capital do país. A estrutura ficará próxima ao novo Aeroporto Internacional de Kigali e será projetada para atender aos padrões de Grau 1 da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), exigidos para receber etapas da Fórmula 1. As obras ainda não foram iniciadas, e o traçado definitivo permanece em desenvolvimento.
O anúncio é resultado de anos de negociações entre a organização da Fórmula 1 e possíveis parceiros africanos. O acordo foi firmado com Ruanda para a realização do Grande Prêmio da África, apresentado pela Visit Rwanda, iniciativa de promoção turística do país.
“A África sempre fez parte do futuro da Fórmula 1 e, desde o início, estávamos determinados a retornar da maneira correta, com o parceiro certo, um compromisso de longo prazo e uma visão clara para gerar um impacto significativo”, afirmou o presidente e CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali.
Como será o novo circuito da Fórmula 1 na África?
O projeto prevê a construção de uma pista permanente, desenvolvida especialmente para competições automobilísticas internacionais. O circuito aproveitará as variações de altitude do terreno de Bugesera, incorporando as características naturais da região ao traçado. Ruanda é conhecido como a Terra das Mil Colinas devido ao relevo montanhoso.
O desenvolvimento do circuito reúne a WurzDesign, empresa liderada pelo ex-piloto de Fórmula 1 Alex Wurz, e a Tilke Engineers and Architects, responsável por projetos de pistas internacionais, incluindo o circuito de Sepang, na Malásia.
A construção integra um projeto de desenvolvimento esportivo, turístico, comercial e de infraestrutura coordenado pelo Conselho de Desenvolvimento de Ruanda. Além de receber a Fórmula 1, a estrutura deverá funcionar durante todo o ano, com a realização de outras competições automobilísticas, eventos e conferências.
Apesar da confirmação do acordo, a organização ainda não divulgou a data exata da primeira corrida. Os próximos anúncios deverão apresentar o cronograma de construção, as etapas de desenvolvimento do circuito e o planejamento do fim de semana do Grande Prêmio.
Fórmula 1 não realiza corridas na África desde 1993
A última etapa da Fórmula 1 no continente africano aconteceu em 1993, quando o francês Alain Prost, então piloto da Williams, venceu o Grande Prêmio da África do Sul, disputado no circuito de Kyalami.
A África do Sul recebeu corridas do campeonato mundial em diferentes períodos entre 1962 e 1993. Desde então, a categoria não voltou a realizar provas no continente, apesar de discussões e propostas para retomar a presença na região.
Ruanda já recebeu eventos ligados ao automobilismo, como a cerimônia de premiação da FIA em 2024, quando Max Verstappen foi reconhecido pelo quarto título mundial consecutivo e a McLaren recebeu o troféu pelo campeonato de construtores.
O país também sediou competições e encontros internacionais de outras modalidades, incluindo o Campeonato Mundial de Ciclismo de Estrada da União Ciclística Internacional (UCI), eventos de críquete, a Liga Africana de Basquetebol e o Congresso da Fifa de 2023.
África reúne mais de 100 milhões de fãs da Fórmula 1
Segundo dados divulgados pela organização da Fórmula 1, o continente africano reúne mais de 100 milhões de fãs da categoria. Nos principais mercados da África Subsaariana, aproximadamente 60% dos seguidores têm menos de 35 anos.
Ruanda possui uma população estimada em 14,6 milhões de habitantes. O censo de 2022 apontou que as mulheres representavam 51,5% da população do país, com participação expressiva entre os jovens de 16 a 30 anos.
A realização de uma etapa em Ruanda também integra a estratégia de expansão internacional da Fórmula 1, com a inclusão de novos mercados no calendário e a ampliação da presença da categoria entre diferentes públicos.
Hamilton, Verstappen e Russell apoiaram retorno à África
Antes da confirmação do acordo, pilotos da Fórmula 1 já haviam manifestado apoio à realização de uma corrida no continente africano. Entre eles estão o heptacampeão mundial Lewis Hamilton, o tetracampeão Max Verstappen e George Russell, da Mercedes.
Hamilton, que defende há anos o retorno da categoria à África, destacou a importância de incluir o continente no calendário.
“Sempre defendi que precisamos de um Grande Prêmio na África. Para mim, é o continente mais importante e o mais bonito. Estamos em todos os outros continentes, mas não nesse, e não deveria haver motivo para isso.”
O britânico também mencionou as negociações conduzidas por Stefano Domenicali para viabilizar o retorno.
“É algo que tenho defendido nos bastidores e o Stefano tem sido incrível – ele viajou para a África tantas vezes nos últimos dois anos, conversando com muitas pessoas diferentes.”
Verstappen também demonstrou interesse na realização de um Grande Prêmio africano e comentou sobre sua experiência anterior em Ruanda.
“Com certeza, se isso for possível, seria ótimo. Queremos correr em muitos lugares diferentes ao redor do mundo, então espero muito que isso possa ser concretizado.”
“Já estive em Ruanda uma vez, claro. Mas vamos esperar, vamos ver se tudo se concretiza. Acho que todos nós ficaríamos muito entusiasmados se isso acontecesse.”
George Russell, por sua vez, afirmou que a ausência de corridas no continente representa uma lacuna no calendário da categoria.
“A Fórmula 1 é um esporte mundial. A África é o único continente [habitado] onde não corremos e já passou da hora de termos uma corrida lá.”
Com o novo acordo, Ruanda deverá se tornar mais um país a receber a principal categoria do automobilismo mundial. A estreia, entretanto, dependerá do avanço das obras e da conclusão dos processos necessários para a homologação do circuito.
Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe
